quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Investigação aponta para autenticidade de provas em caso de agressão a autistas

A Polícia Civil informou, nesta terça-feira, 16, que a perícia comprovou a autenticidade das fotos, vídeos e prints relacionados ao caso da fonoaudióloga suspeita de torturar e ofender crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em uma clínica particular de Duartina.
Segundo o delegado responsável pelas investigações, Paulo Calil, não há qualquer tipo de montagem ou fraude nas imagens, e elas indicam crime de tortura.
Imagens das agressões não foram divulgadas, mas o g1 teve acesso a vídeos enviados pela família das crianças que sugerem o crime e a prints de conversas da fonoaudióloga (leia mais abaixo).
O delegado explicou que o próximo passo da investigação é concluir as oitivas das mães que denunciaram as agressões.
A polícia também aguarda o laudo feito por uma psicóloga que atendeu uma das crianças, para averiguar se a alteração no comportamento dela está diretamente relacionada ao atendimento prestado pela fonoaudióloga.
Após a conclusão do inquérito, ele será encaminhado para o Ministério Público (MP-SP), que deve decidir se oferece denúncia à Justiça.
No dia 14 de julho, a defesa da fonoaudióloga Bianca Rodrigues informou que colaborava com as investigações policiais e que a família dela teve que sair da casa com medo de represálias. Agora, novamente questionada pelo g1, a defesa não se pronunciou até a publicação desta reportagem.
O g1 noticiou o caso no fim de junho. Na época, mães relataram que não estavam percebendo evoluções no tratamento dos filhos, e uma ex-funcionária da fonoaudióloga contou que as crianças não estavam recebendo atendimento.
“As crianças não estavam tendo atendimento. A fonoaudióloga falava com as mães, mas as crianças ficavam na sala comigo. E eu estou cursando psicologia, ainda não tenho esse repertório de fazer o tratamento adequado”, afirmou.
Além da falta de atendimento, outras denúncias relacionadas à fonoaudióloga começaram a aparecer. A ex-funcionária, que era contratada como acompanhante terapêutica de um dos meninos atendidos, disse que viu a criança levar um tapa da profissional.
A mulher registrou imagens, áudios e vídeos das crianças durante os atendimentos e as entregou à polícia.
Além da ex-funcionária, três mães conversaram com o g1 sobre as supostas agressões. Uma delas disse que desconfiou da situação quando o filho de 3 anos recusou o toque nos órgãos genitais durante uma consulta pediátrica e, mais tarde, afirmou que a fonoaudióloga tocava nele.
Outra mãe ouvida pela reportagem contou que o filho, de 9 anos, era trancado em salas no consultório. Ela descobriu o ocorrido quando foi chamada à delegacia e viu a foto que mostra as mãos do menino no vidro (veja abaixo).
Ainda segundo esta mãe, o filho voltava para a casa com as roupas urinadas e, algumas vezes, sem camiseta.
Já uma terceira mãe relatou que o filho de 6 anos levou um tapa na boca por ter mordido a profissional.
Além das denúncias, o g1 também teve acesso a prints de conversas que, supostamente, mostram a fonoaudióloga tentando forjar atendimentos.
"Dá uma disfarçada, sabe, finge que eu tô atendendo" e "eu não vou à tarde para a clínica amiga, inventei para a [nome] que tenho reunião" são algumas das mensagens divulgadas.
Alguns prints também mostram que a profissional teria ofendido pacientes. Segundo as denúncias, as conversas seriam de agosto de 2021.

Fonte: g1



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