quinta-feira, 7 de abril de 2022

Tradicional faixa de novelas das seis da Globo deve chegar ao fim

A Globo está avaliando colocar um ponto final na produção de novelas inéditas para as 18h e, ao mesmo tempo, ressuscitar a tradicional faixa das oito. A mudança histórica na programação do canal está bem encaminhada nos bastidores e é baseada numa ampla pesquisa de comportamento social e mercado. A estratégia visa aumentar o faturamento e a ter uma melhor performance de audiência.
O NaTelinha apurou que a Globo analisa puxar as reprises do Vale a Pena Ver de Novo para ocupar parte da faixa das seis. Desde fevereiro, O Clone (2001) passou a ser exibida no espaço deixado na grade após o fim de Malhação e sua audiência vem agradando a emissora. Na última semana (28 de março a 02 abril), a novela escrita por Glória Perez marcou 17,4 pontos de média, apenas 2,4 abaixo do folhetim inédito das 18h, Além da Ilusão.
Na programação que está sendo montada, após a sessão do Vale a Pena Ver de Novo, entram mais cedo os jornais locais, seguidos da novela das sete, Jornal Nacional, novela das oito e a novela das nove. A previsão é que o telejornal comandado por William Bonner deixe a grade por volta das 20h30 e 20h40 para a recriação da faixa das 20h de dramaturgia.
Oficialmente, a última novela das oito exibida pela Globo foi Passione (2010), escrita por Silvio de Abreu. Em 2011, com inúmeras mexidas na grade, os folhetins passaram a entrar no ar depois das 21h e ganharam o título de novela das nove. A primeira foi Insensato Coração (2011) - confira a chamada no fim da matéria - de Gilberto Braga e Ricardo Linhares.
Nas pesquisas encomendadas pela Globo, dentre os principais pontos que validam o fim da faixa das seis e a recriação da novela das oito é financeiro. Na tabela comercial de abril, um anúncio de 30 segundos exibido no horário de Além da Ilusão custa em média, sem descontos, R$ 410 mil. Em Pantanal, esse valor mais que dobra e gira em torno de R$ 887 mil. Ou seja, com a mudança, a emissora pode incrementar seu faturamento no horário nobre, mantendo, praticamente, os mesmo custos. Com o Vale a Pena Ver de Novo sendo exibido mais tarde, o valor cobrado para os anunciantes nos intervalos poderá sofrer reajustes e ter uma lucratividade próxima de uma trama inédita das seis.
Além disso, o estudo aponta mudanças comportamentais no telespectador. Quando foram criados os folhetins das 18h, em 1971, com Meu Padacinho de Chão, de Benedito Ruy Barbosa, o perfil do público era diferente. Hoje, as mulheres, target principal do horário, desempenham  funções importantes no mercado de trabalho e as pessoas passaram a chegar em casa mais tarde, diferente da época.
Procurada, a Globo negou o fim da faixa das seis e a volta da novela das oito. A reportagem mantém as informações sobre os estudos desenvolvidos pelo setor de pesquisas da emissora.
Desde 2006, as novelas das 18h não rompem a barreira dos 30 pontos no Ibope. A última que marcou essa audiência foi O Profeta, de Duca Rachid e Thelma Guedes. Desde então, a faixa passou a ter desempenho médio, com exceção do folhetim escrito por Walcyr Carrasco, Êta Mundo Bom (2016), que chegou a 27 de média final e é considerado um fenômeno no horário.
Não é a primeira vez que a emissora acaba com a faixa de dramaturgia das seis em sua história. Entre 1973 e 1975, a Globo extinguiu os folhetins do horário e passou a exibir filmes, séries americanas, desenhos e o spin-off do O Primeiro Amor (1972), Shazan, Xerife & Cia. As novelas voltaram em maio de 1975 com uma história assinada por Gilberto Braga, Helena.

Fonte: Na Telinha



Nenhum comentário:

Postar um comentário