segunda-feira, 18 de abril de 2022

Dengue avança com força e sobrecarrega sistema de saúde garcense

Muita gente sofrendo com sintomas variados, como dor de cabeça e no corpo, febre, fraqueza, entre outros. A Unidade de Pronto Atendimento da cidade com um fluxo intenso de pessoas, com uma sobrecarga de serviço para os profissionais da saúde. Essa tem sido a rotina dos últimos dias em Garça, com a dengue avançando de forma desenfreada e registrando casos e mais casos em praticamente todas as regiões do município.
Números recentes apontam que 779 garcenses já tiveram a confirmação positiva de dengue. No entanto, quase 3,3 mil casos ainda são considerados suspeitos. Ou seja, é um universo consideravelmente alto em relação à população do município. Um volume relevante dessas pessoas, no agravamento dos sintomas, busca o atendimento da saúde pública, o que faz com que um serviço como o da UPA se mostre com uma demanda intensa.
Para o prefeito João Carlos dos Santos (União Brasil), alguma falha ocorreu no processo de prevenção à doença, ainda que diversos procedimentos técnicos tenham sido desenvolvidos ao longo dos últimos meses no município.
"Tudo aquilo que o protocolo determina foi executado. Nossos agentes trabalharam, os bloqueios, a nebulização, limpeza das casas. Todo protocolo foi conduzido da forma que nós entendemos adequada. Em algum momento, deve ter cometido alguma falha, senão não teríamos o resultado negativo que estamos tendo agora. Nós sabemos que é um período chuvoso, de altas temperaturas e tudo isso favorece a proliferação acelerada do mosquito”, observou. 
“Mas é importante também nós discutirmos, neste momento, a questão da responsabilidade compartilhada. A gente tem insistido desde janeiro, falando sobre esse assunto, toda nossa mobilização vem sendo trabalhada, todo mapeamento, todo nosso pessoal em vigilância em saúde, a Vigilância Epidemiológica tem trabalhado. Infelizmente, os indicadores neste momento são muito negativos. Não é só uma responsabilidade da Prefeitura. As pessoas também têm de colaborar e entender que os problemas estão dentro de suas casas", avaliou Santos.

Postos — Diante do quadro de sobrecarga da rede de saúde, a Prefeitura definiu a abertura de dois postos de saúde em horário estendido e aos finais de semana e feriados na tentativa de desafogar os atendimentos da UPA e das demais unidades.
"Sabemos que a dengue não é um único atendimento, é necessário fazer hidratação, há pessoas que estão necessitando voltar à unidade de saúde três, quatro, cinco vezes para fazer hidratação. Isso toma tempo, lota o serviço e para isso tomamos algumas iniciativas no atendimento", disse o prefeito.
A Unidade Mariana I, localizada na rua Prefeito Salviano Pereira de Andrade, 1.733 e a Unidade Glenda, na rua São João, 201, no antigo Hospital Samaritano, continuam a atender no horário tradicional e também das 17 às 21 horas. Nos feriados e finais de semana, esses postos estarão com as portas abertas das 08 às 20 horas. 
João Carlos dos Santos sustentou que essa medida foi tomada para desafogar o sistema, mas que a sua concretização foi dificultada pela complexidade em montar as escalas médicas. "O sistema de saúde como um todo tem sido muito exigido e consequentemente há a busca de profissionais", pontuou.

Recolha — Outra atividade realizada nos últimos dias foi um arrastão, visando recolher os mais variados artigos que podem acumular água e servir, desse modo, como criadouro para o mosquito causador da dengue. "Em que pese a gente tenha um programa permanente no município para fazer a coleta desses entulhos, dessas coisas que ficam alojadas nas residências, mesmo assim a coleta agora, de uma forma emergencial, recolheu mais de 50 caminhões de materiais", indicou o prefeito.
Santos ainda sustentou que, ao longo desta semana, a Prefeitura e a Sucen (Superintendência de Controle de Endemias) executaram uma avaliação do Centro da cidade, visando a identificação de possíveis focos da dengue, incluindo a visitação a telhados dos prédios comerciais, observação de calhas, entre outros trabalhos. 
O Centro também continua a contar com caçambas em várias ruas. Em parceria com a Associação Comercial e Industrial de Garça, essa medida busca facilitar que os comerciantes possam descartar itens existentes em suas lojas e que possam ser possíveis focos para a reprodução do mosquito.
Ao longo da semana, também teve início outro procedimento contra a dengue. Tratou-se da nebulização, desenvolvida com um carro da Sucen. As primeiras regiões a receber a aplicação do veneno contra o Aedes aegypti foi a dos bairros Rebelo, Centro, Labienópólis e Hilmar Machado. A nebulização tem o potencial de controlar o mosquito adulto, ao passo que as larvas só conseguem ser combatidas com a limpeza de quintais, terrenos, retirada de objetos que acumulem água, entre outros procedimentos.
"De acordo com o nosso controle, esses bairros da cidade são os que apresentaram maior número de casos e de criadouros do mosquito. Por isso decidimos realizar a nebulização aérea. Percebemos que muitas casas estavam com as portas e janelas abertas, o que ajuda muito na eficiência da aplicação do inseticida. Foi uma solicitação que fizemos e muitos garcenses nos atenderam", indicou Edna Semenssato, diretora da Vigilância Sanitária.
A nebulização continuará a ser realizada nas mesmas regiões nas próximas três semanas, nas quartas-feiras, dias 20 e 27 de abril e 02 de maio.

Fonte: Jornal Debate



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