sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Porto de Santos torna-se centro mundial do negócio da cocaína

Três carregamentos de cocaína foram encontrados no mesmo dia, prontos para zarpar para França, Espanha e Gana. Todos com origem no porto de Santos, no Brasil, de onde saem os carregamentos de cocaína para todo o mundo.
Em 3 de janeiro, as autoridades tiveram um dia movimentado no porto de Santos, no Atlântico, próximo a São Paulo, segundo nota  do Ministério da Defesa brasileiro. Pela manhã, 562 quilos de cocaína foram descobertos em um carregamento de café com destino ao porto de Havre, na França, um dos principais portos de entrada de drogas na Europa. Poucas horas depois, um carregamento de açúcar com meia tonelada de cocaína foi apreendido e deveria ser enviado para Gana. Quase ao mesmo tempo, um contêiner que transportava suco de laranja concentrado com destino a Valência, na Espanha, foi revistado e o resultado foi a apreensão de 730 quilos do alcalóide.
Na semana anterior, cocaína havia sido encontrada  em um carregamento de gesso com destino à Austrália e também entre sacos de açúcar  a caminho da África do Sul.
Tanta cocaína sai do porto que parte dela até parece encontrar o caminho de volta. Em 4 de janeiro, 59 quilos foram descobertos  em um contêiner vazio retornando da Filadélfia, escondido atrás de isolamento térmico.
Embora o porto de Santos esteja classificado apenas em 46º lugar entre os mais movimentados  do mundo, é o segundo maior porto da América Latina depois do porto de Colón, no Panamá. Por esse motivo, tornou-se um centro crucial no comércio global de cocaína.
Muito desse crescimento se deve ao posicionamento do Primeiro Comando da Capital (PCC), poderoso grupo de narcotraficantes que domina São Paulo. Essa quadrilha conseguiu espalhar seus tentáculos do tráfico por toda a região, especialmente no Paraguai e no interior da Bolívia. Com isso, o PCC conseguiu controlar  várias rotas de tráfico de cocaína, de modo que a droga produzida na Bolívia é transportada pelo Paraguai e Brasil até Santos. A quadrilha chegou a enviar alguns de seus membros mais importantes  para  controlar o fluxo de  cocaína nos dois países.
Apesar de algumas rivalidades  no Paraguai, o controle do PCC não é contestado por grandes ameaças. Como resultado, esta agora pode ser considerada uma das maiores rotas de cocaína do mundo.
Mas controlar a rota é apenas metade da história. Outra razão para o número de destinos para os quais a cocaína é embarcada é o enorme número de máfias internacionais com alguma presença, seja permanente ou através de delegados, no território do PCC.
A maior aliança internacional da quadrilha brasileira é com a 'Ndrangheta, a máfia italiana da região da Calábria, no sul da Itália. Conforme relatado pela InSight Crime , figuras importantes da 'Ndrangheta viajaram pessoalmente ao Brasil para negociar acordos de longo prazo com o PCC.  
Por muito tempo, a 'Ndrangheta permitiu que a cocaína de Santos entrasse na Europa, através de portos como Roterdã e Antuérpia, para posterior distribuição às máfias russa, balcânica e marroquina. Da mesma forma, a 'Ndrangheta ajudou a fechar acordos entre o PCC e grupos criminosos na África Ocidental, que mantinham uma parte da cocaína em troca de ajudar a transportar carregamentos maiores para a Europa, o Projeto descobriu
No entanto, a presença de uma grande variedade de outros intermediários vem crescendo. Em 2019, a Europol informou que “grupos criminosos sérvios têm destaque especial no porto de Santos”.
Na Irlanda, o maior traficante de drogas do país, Daniel Kinahan, estava ligado a um império do tráfico de cocaína, que inclui uma série de ativos e acordos comerciais no Brasil.
Em setembro de 2021, o InSight Crime revelou a escala de pequenos carregamentos de cocaína de Santos para abastecer os mercados domésticos da África Austral, como Angola, Moçambique e África do Sul.

Fonte: InSight Crime



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