segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Engenharia agronômica auxilia para indicação geográfica do café local

O 12 de outubro é a data de reconhecimento de uma importante categoria profissional. O Dia do Engenheiro Agrônomo reveste-se como um marco para destacar os importantes trabalhos realizados por esses profissionais, que podem atuar em diversas frentes, garantindo que muitas culturas possam ser desenvolvidas com resultados expressivos. E a atuação de um agrônomo pode ir além do simples atendimento junto ao produtor rural. Esse profissional pode também ajudar de forma efetiva para que trabalhos técnicos sejam conduzidos.
Um exemplo disso ocorre em Garça e região. Um trabalho amplo vem sendo conduzido para que o café local tenha uma IG (indicação geográfica). Desde o ano de 2016 um projeto nesse sentido vem sendo desenvolvido, por intermédio da Associação de Produtores de Cafés Especiais da Região de Garça, sendo que entre os integrantes dessa ação está a engenheira agrônoma Maria Thereza Ricci Sartori. Formada pela conceituada Esalq/USP, ela atua no desenvolvimento desse programa, que visa dar um maior reconhecimento para o café local.
Em 2018, com o apoio da Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, uma verba foi conquistada, junto à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado, para viabilizar o projeto. Com os estudos processados, foi escolhida a modalidade de indicação de procedência. Segundo explicou Maria Thereza, uma IG possui duas modalidades, a indicação de procedência, que é a denominação de uma localidade, a e indicação de origem, que é focado na tipificação, seja de uma bebida, um alimento, entre outros artigos.
Para executar esse projeto, um levantamento histórico foi realizado. Verificou-se que as cidades de Cafelândia e Pirajuí foram as precursoras na cafeicultura da região, ao passo que o café em Garça já é cultivado há cerca de 100 anos. E a cidade se fortaleceu com a criação, em 1962 da Garcafé (Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Garça), sendo que hoje o município é o polo de exportação dos cafés da região.
Com todo esse trabalho, em 2020 foi realizada a entrada do projeto de indicação de procedência no Inpi (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), que é a entidade responsável pela concessão de reconhecimento de títulos de indicação de um produto. O Café da Região de Garça engloba a produção do grão dos municípios de Álvaro de Carvalho, Alvinlândia, Cafelândia, Duartina, Fernão, Gália, Garça, Guarantã, Júlio Mesquita, Lucianópolis, Lupércio, Marília, Ocauçu, Pirajuí e Vera Cruz.
"Estamos na fase de aguardo do reconhecimento da indicação de procedência. O processo é demorado, já que é um procedimento muito minucioso, com visitas às regiões, levantamento histórico. O próprio Inpi hoje conta com somente quatro técnicos para fazer a avaliação de todos os pedidos de indicação geográfica. Por si só o processo dentro do Inpi já é demorado. Tivemos uma primeira avaliação, não tivemos problema com o nome, pediram mais algumas documentações que estão sendo encaminhadas agora. Estamos no aguardo do reconhecimento do título", explicou Maria Thereza.
Enquanto se observa esse aguardo, outro trabalho vem sendo realizado para fazer com que o café local também aumente sua presença no mercado da Europa. "Paralelamente ao processo de pedido de indicação de procedência, nós estamos trabalhando a denominação de origem, que, caso seja mais interessante, no Inpi nós vamos pedir a substituição, pois hoje não se pode mais ter os dois títulos, ou se tem denominação de origem ou indicação de procedência. Para a Europa, a denominação de origem é mais valorizada, exatamente pelo fato de eles procurarem um tipo de bebida que seja sempre a mesma. A partir do momento que se compra um café com selo de denominação de origem, com o selo da região de Garça, o consumidor sabe que vai ter sempre aquela bebida, aquela característica de sabor", pontuou.
O mesmo grupo que atua no projeto de IG, também tem buscado valorizar o café local, ressaltando sua qualidade. Um concurso para cafés especiais foi instituído e já se encontra em sua quarta edição (leia nesta edição matéria sobre o tema), buscando ressaltar o potencial do produto obtido nas lavouras locais. E isso se evidenciou nos concursos passados, quando lotes chegaram a tocar pontuação de 86, na escala da SCA (Specialty Coffee Association), que vai de zero a 100, com os cafés acima de 84 pontos sendo considerados gourmets.
Para a engenheira agrônoma, a região de Garça tem um bom potencial para o café mais fino, dependendo apenas de uma boa condução do trabalho. "Se colher na umidade certa, de máquina, não deixar fermentar no terreirão, o nosso café é um café completo. Enquanto o café de Minas precisa de blends para atingir um tipo de bebida, o café de Garça é um café completo, tanto para 'espresso' como para pó. Ele não precisa misturar com nada para dar uma bebida boa. Temos uma informação de um comprador dos Estados Unidos que os Estados Unidos bebem café típico da nossa região, 80% do café comercializado lá é um café típico da bebida da nossa região", indicou Maria Thereza.
O trabalho concreto do profissional da engenharia agronômica ajuda a garantir à região de Garça um café de qualidade e que, em breve, deverá contar com a importante indicação geográfica. Para Maria Thereza, a profissão tem o potencial para garantir que avanços sejam observados no campo.
"Tudo que vai no chão e cresce e tendo uma boa orientação técnica é sinal de sucesso. O papel do engenheiro agrônomo é oferecer uma boa condução, orientação, desde a produção de mudas, com trabalhos de mudas características. Nós temos comprovação que algumas variedades têm bebidas diferentes de outras. Então, dependendo do objetivo do produtor, se é produzir um café com melhor qualidade de bebida e tudo mais, o profissional tem de efetuar a indicação de uma variedade mais adequada, preparo do plantio, condução no pós-colheita. Toda essa informação tem o papel do engenheiro agrônomo, que é primordial para que se tenha um sucesso no produto final", complementou.

Fonte: Jornal Debate



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