terça-feira, 31 de agosto de 2021

Justiça da Guatemala ordena julgamento de dois generais por genocídio

Um juiz guatemalteco ordenou na segunda-feira que dois ex-generais de alto escalão sejam julgados por acusações de genocídio de há quatro décadas, enquanto o país centro-americano lida com massacres cometidos contra populações indígenas durante uma brutal guerra civil.
Em sua decisão, o juiz Miguel Ángel Gálvez autorizou o julgamento sob as acusações de que os dois ex-generais — Manuel Benedicto Lucas e Manuel Antonio Callejas — cometeram genocídio, crimes contra a humanidade e sequestros forçados de 1978 a 1982, num caso em que mais de 1.700 pessoas foram mortas durante 31 massacres. As chacinas aconteceram na região de Quiche, no Norte do país, lar de muitos indígenas maias.
Lucas era terceiro oficial do Exército na época dos supostos crimes, bem como irmão do então presidente Romeo Lucas, enquanto Callejas era o encarregado da inteligência nacional.
Lucas e Callejas, ambos com 85 anos, estão detidos desde 2016 em prisão preventiva num centro médico militar na capital guatemalteca. Nenhum deles pôde ser contatado para comentar a decisão do juiz.
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Em junho, o juiz Gálvez acusou separadamente seis outros ex-militares por sua suposta participação na morte e desaparecimento forçado de pelo menos 183 civis durante a guerra que durou 36 anos. O conflito, que terminou com acordos de paz em 1996, deixou estimados mais de 200 mil mortos e 45 mil desaparecidos.
Relativamente poucas pessoas foram julgadas por crimes cometidos durante a guerra, e uma comissão apoiada pelas Nações Unidas disse que o Exército cometeu a maioria das atrocidades do conflito.

Fonte: O Globo



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