terça-feira, 20 de julho de 2021

Alunos do ensino médio terão uma aula a mais por dia no próximo ano em SP

Os alunos do 2º e 3º anos do ensino médio das escolas estaduais de São Paulo terão uma aula a mais por dia a partir do próximo ano.
O secretário estadual de Educação, Rossieli Soares, informou que as aulas adicionais poderão ser dadas de forma remota, pelo Centro de Mídias. “Aqui nasce o verdadeiro ensino híbrido”, disse nesta terça (20).
Atualmente, os estudantes dessas séries têm sete aulas por dia no turno diário. A ampliação será progressiva. A partir de 2022, o 2º ano do ensino médio passará a ter 8 aulas diárias. Em 2023, a medida será estendida ao 3º ano.
Para as turmas do período noturno, a ampliação para 8 aulas diárias irá ocorrer já a partir 1º ano do ensino médio.
O governo João Doria (PSDB) aposta na ampliação do tempo dos alunos em sala de aula para mitigar os prejuízos de aprendizagem durante a pandemia.
A aula adicional no formato remoto também foi a forma encontrada pela gestão estadual para cumprir a carga horária prevista pela reforma do ensino médio no período noturno. Pela lei, no novo formato, os estudantes devem ter 3.000 horas de aula nos 3 anos dessa etapa.
A legislação já previa que até 30% das aulas do noturno poderiam ser dadas na modalidade a distância - no período diurno, o limite é de 20%.
As aulas na rede estadual têm 45 minutos de duração. Com a ampliação, os alunos do diurno terão por semana 3h45 minutos a mais de aulas. Os do noturno, 6 horas adicionais por semana.
Hoje, as turmas do noturno na rede estadual têm apenas 5 aulas diárias, o que não permitia alcançar as 3.000 horas previstas no novo ensino médio. As turmas diurnas já ultrapassavam essa carga horária, com a mudança vão passar de 3.050 para 3.150 horas nessa etapa.
Segundo Soares, as aulas adicionais serão voltadas para orientação de estudos e disciplinas eletivas, escolhidas pelos alunos.
Segundo Soares, as escolas vão definir de acordo com sua realidade como serão as aulas adicionais, se presenciais ou remotas.
O secretário informou ainda que os alunos e unidades receberão equipamentos e internet para que possam acompanhar o ensino a distância. Não foi detalhado como será esse suporte digital. Durante a suspensão das aulas presenciais, os estudantes da rede estadual tiveram difiuldade de acompanhar as atividades remotas.
O novo currículo do ensino médio começou a ser implantado em São Paulo neste ano para mais de 460 mil alunos matriculados na 1ª série dessa etapa.
A reforma do ensino médio foi aprovada em 2017, no governo Michel Temer (MDB), para todo o país, com a previsão de flexibilizar a formação do aluno. A gestão Jair Bolsonaro (sem partido) definiu que a implementação total do novo modelo deve ocorrer até 2024.
Pela lei, o novo currículo deve oferecer ao menos cinco itinerários formativos: linguagens; matema´tica; cie^ncias da natureza; cie^ncias humanas e sociais aplicadas; formação técnica e profissional. Isso quer dizer que, além das matérias tradicionais, o jovem define um itinerário e pode escolher disciplinas eletivas voltadas ao seu interesse.
A secretaria fez uma pesquisa com 376 mil alunos do 1º ano do ensino médio das escolas estaduais para identificar as áreas de preferência. Linguagens foi a que teve maior manifestação de interesse, de 56% dos jovens. Em seguida, foram as áreas de ciências humanas (44%), matemática (34%) e ciências da natureza (30%). Os alunos podiam indicar mais de um itinerário.
Em São Paulo, ficou definido que todas as escolas devem oferecer ao menos os quatro itinerários básicos (formação técnica não é obrigatória), ainda que de forma integrada. Por exemplo, uma unidade pode ofertar junto a uma mesma turma os itinerários de linguagens e ciências humanas.
Para isso, algumas unidades terão de ampliar o número de turmas que atendem. Segundo a secretaria, 880 escolas estaduais têm apenas uma turma de cada série do ensino médio. Elas precisam obrigatoriamente ao menos duplicar as turmas para ofertar dois itinerários diferentes aos estudantes.
Com o aumento de salas, a secretaria calcula que, a partir de 2022, as escolas terão 121 mil aulas a mais para serem distribuídas entre os professores. Para atender essa ampliação, a pasta planeja contratar 10 mil novos docentes.
A contratação ainda depende de aprovação na Assembleia Legislativa.

Fonte: Folha de São Paulo



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