segunda-feira, 28 de junho de 2021

Pirajuí: mulher toma outra vacina e alega que fez isso para entrar na Europa

Uma mulher de 74 anos, que havia completado o ciclo vacinal contra a covid-19 com duas doses da CoronaVac, procurou uma unidade de saúde em Pirajuí alegando que ainda não havia sido imunizada, e recebeu dose da AstraZeneca. Quando o fato foi descoberto e ela foi contatada pela equipe de saúde, alegou que quis tomar o imunizante do laboratório britânico porque iria viajar para a Europa e, lá, a vacina produzida pelo Instituto Butantan ainda não estaria sendo aceita. O caso, investigado pela Polícia Civil, também foi remetido ao Ministério Público.
O fato ocorreu no final de maio, mas se tornou público somente no final de semana. A investigada, que não terá o nome divulgado em razão de o caso estar sob apuração, foi até a unidade de saúde no dia 20 e disse que ainda não tinha tomado vacina contra a covid-19 por medo. Ela foi agendada para a manhã do dia seguinte, quando recebeu a dose da AstraZeneca.
À tarde, quando a funcionária que aplicou a vacina foi lançar os dados no sistema, descobriu que a mulher já havia tomado as duas doses da CoronaVac. A profissional fez contato com ela, por telefone, e a paciente confirmou que estava com ciclo vacinal completo, justificando que quis tomar a dose da AstraZeneca porque iria viajar para a Europa e, lá, essa vacina é aceita. A funcionária registrou boletim de ocorrência de preservação de direito e a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar a conduta da mulher que tomou a vacina, que pode responder, em tese, por estelionato. Além de solicitar à prefeitura informações sobre a vacina, processo de conferência de dados e valores gastos com aquisição, transporte, armazenamento e aplicação da dose do imunizante, o delegado César Ricardo do Nascimento informou que irá ouvir os envolvidos.
Em nota, a diretora de comunicação e imprensa de Pirajuí, Denise Guimarães de Oliveira, confirmou os fatos e explicou que, por se tratar de pessoa idônea que, inclusive, trabalhou por anos na saúde, a equipe confiou em sua palavra e não consultou os dados antes da vacinação.
"A paciente mentiu sobre não ter tomado vacina anterior e alegou que um médico a orientou a fazer isso", diz.
Por orientação do Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE) da Secretaria de Estado da Saúde, segundo a diretora, foi feito um comunicado de erro e recolhido o comprovante de vacinação na casa da paciente para a comprovação de que ela agiu de má-fé.
A pasta aguarda orientações da GVE para saber se a mulher terá de tomar a segunda dose da vacina da AstraZeneca.
O fato, de acordo com Oliveira, também resultou em mudanças no protocolo de vacinação.
"Hoje, os dados de todos que tomam a vacina são consultados nos equipamentos novos que chegaram (tablets), justamente para que não ocorra mais esse tipo de conduta", explica. Os equipamentos foram disponibilizados pelo Ministério da Saúde com objetivo de conter fraudes.

Fonte: Jornal da Saúde de Bauru



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