segunda-feira, 14 de junho de 2021

Lago Artificial: maior presença de matéria orgânica "enfeia" cartão postal da cidade

O cartão postal de Garça. Essa é a expressão mais básica que é apresentada quando se fala no Lago Artificial "J. K. Williams". Ali está um cenário dos mais belos, com um amplo gramado, o bosque das cerejeiras, os pontos comerciais , assim como o lago em si, local de passeio de pedalinhos e até de pescaria em determinados momentos do ano. É palco, ainda, da maior atividade turístico-cultural garcense, a tradicional Festa da Cerejeira, que, infelizmente, não foi realizada neste e no ano passado, por motivos amplamente conhecidos.
Porém, o cenário que se verifica hoje no Lago Artificial não é dos mais belos. Observam-se algas em grandes proporções, uma água mais turva, terra, pedras e caramujos africanos em diversos pontos das margens. Além disso, na área dos pedalinhos, o que se observa é um cheiro extremamente desagradável, que afeta, inclusive, as pessoas que utilizam esse amplo e belo espaço da cidade para a realização de caminhadas ou de exercícios físicos.
DEBATE buscou saber o que realmente está ocorrendo com esse espaço público. Segundo a Prefeitura, a responsabilidade de gerenciar, acompanhar e adequar o Lago é da Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente. Segundo a titular dessa pasta, a engenheira agrônoma Maria Thereza Ricci Sartori, sustentou que esse quadro verificado não é fruto de descaso ou da não realização dos trabalhos necessários para que o espaço esteja dentro de uma arquitetura considerada normal.
Ela indicou que o que se verifica é que o Lago registrou nas últimas semanas uma queda considerável no volume de água, com uma redução entre 40 e 50 centímetros, refletindo uma estiagem considerável que atingiu a região nos meses de abril, maio e até o começo deste junho, numa das piores crises hídricas em várias décadas.
"Nosso Lago depende de água de bombeamento, não há mais uma mina como existia antigamente. Essa água é trazida de um córrego, que fica abaixo dele e a vazão desse córrego caiu muito. Mas as plantas que se enxergam no meio do Lago são aquáticas e que vivem no Lago desde sempre. É um ambiente em que os lambaris geralmente ficam por perto da planta, uma elodea, que é uma planta que tem uma raiz no fundo do Lago e só está aparecendo agora por uma retração nos volumes de agua", disse Maria Thereza.
A secretária lembrou que outra alga que parece uma gosma e que se mostra na beira do lago também faz parte do microssistema desse espaço. "Se olharmos essa planta, ela tem filamentos mais finos que fios de cabelo, é um emaranhado de fios. Ela não é não tóxica e os peixes a consomem. O mau cheiro deriva do fato de muita gente jogar pão no Lago, para os peixes, e tudo que aumenta a matéria orgânica, já que em algum lugar isso fermenta. Por isso, às vezes se dá o mau cheiro. Dias atrás tivemos peixes que morreram no vertedouro, devido a redução rápida da água, isso também contribui para o cheiro ruim", explicou. 
Já quanto aos caramujos, esses animais há anos estão lá, devido a um desequilíbrio ecológico, já que esses moluscos não são naturais do Brasil e não possuem predadores naturais. Eles estão aparecendo neste momento pelo fato de a água ter diminuído e pelo volume considerável de matéria orgânica.
Chuvas foram registradas desde a última quinta-feira, 10, em Garça e a expectativa é que essa precipitação permita fazer com que os níveis normais de água do Lago voltem a ser verificados e, desse modo, os problemas sejam minimizados.
"Estamos com uma crise hídrica desde o ano passado e este ano foi pior, já que janeiro, fevereiro e março não choveu e abril e maio é época de chuva menor. A alga aparece com aumento de matéria orgânica no Lago e, como não tivemos pesca solidária nem em 2020 e nem neste ano,  nós também estamos com população relativamente alta de peixes no Lago e isso amplia a concentração de matéria orgânica e, assim, as algas filamentosas aumentam também", declarou.
Algumas pessoas avaliam que o Lago estaria sem oxigenação na água. Para a titular da pasta de Agricultura e Meio Ambiente, essa informação é tecnicamente incorreta, já que neste momento o problema desse local é efetivamente de concentração maior de matéria orgânica. Para Maria Thereza, o ideal é que o Lago esteja sempre cheio e que, diante disso, desde que o problema surgiu, a Secretaria tem tentado diminuir a matéria orgânica para se voltar à normalidade. Esse quadro, no entanto, não traz desequilíbrio, sendo que entre os peixes existentes naquele espaço, como lambaris, tilápias, piranhas e bagres, não se verifica mortandade. "O que se tem é somente essa alga, que é feia, mas ela não prejudica o Lago", complementou a secretária.

Fonte: Jornal Debate



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