sexta-feira, 18 de junho de 2021

Irã vota em eleições presidenciais com ultraconservador Raisi como favorito

Os iranianos votam nesta sexta-feira, 18, sem grande entusiasmo, para escolher um novo presidente, em um processo que tem o ultraconservador Ebrahim Raisi como grande favorito para assumir o governo de um país que enfrenta uma grave crise econômica e social.
O guia supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, emitiu em Teerã o primeiro voto e iniciou a votação. Ele convocou os quase 60 milhões de eleitores a cumprirem seu "dever cívico" o mais cedo possível.
A insatisfação generalizada da população neste país afetado pela covid-19 e pelas sanções americanas, assim como o veto de centenas de candidatos nas eleições indicam um elevado nível de abstenção. A expectativa é que pode bater o recorde de 57% das legislativas de 2020.
Sem dados oficiais, a agência Fars, próxima aos ultraconservadores, informou, sem revelar a fonte, uma taxa de participação média de 23% às 16h45 (09h15 de Brasília).
Dos sete candidatos autorizados pelo regime, três abandonaram a disputa na quarta-feira. O grande favorito é Raisi, de 60 anos, que comanda a Autoridade Judicial.
Após três semanas de campanha apática, as autoridades decidiram ampliar o horário de votação até meia-noite (16h30 de Brasília), que pode ser prorrogado por mais duas horas.
Os resultados devem ser divulgados no sábado e, caso nenhum candidato obtenha 50% dos votos, o segundo turno será organizado em 25 de junho entre os dois mais votados.
Em uma rua de Teerã, uma enfermeira coberta por um xador disse à AFP que votaria em Raisi, "o candidato mais competente" que soube lutar "contra a corrupção".
A campanha foi apática, com poucos cartazes na capital Teerã, mas a maioria mostrando o rosto austero de Raisi com seu habitual turbante negro.
Seus rivais são um deputado relativamente desconhecido, Amirhosein Ghazizadeh-Hashemi; um ex-comandante da Guarda Revolucionária, general Mohsen Rezai, e um tecnocrata, Abdolnaser Hemati, ex-presidente do Banco Central, considerado o único reformista na disputa.
"Eu amo meu país, mas não aceito estes candidatos", declarou à AFP Abolfazi, um ferreiro de 60 anos que defendeu a Revolução Islâmica de 1979, mas que atualmente se declara decepcionado com as opções políticas.
Said Zarii, comerciante, também decidiu não comparecer à urna. "Votando ou não... alguém já foi escolhido: organizam as eleições para os meios de comunicação", declarou.
O presidente tem prerrogativas limitadas no Irã, onde o poder real está nas mãos do guia supremo, Ali Khamenei.
O atual presidente, Hassan Rohani, um moderado que apostou em uma abertura para o Ocidente e em uma ampliação das liberdades individuais, foi reeleito em 2017 no primeiro turno, em uma votação com taxa de comparecimento de 73%.
Ele não pode disputar a eleição após dois mandatos consecutivos de quatro anos.
Nesta sexta-feira, depois de votar, ele admitiu que deseja ver mais pessoas participando.
"As eleições são importantes independentemente do que aconteça e, apesar dos problemas, devemos votar", disse Rohani, em uma referência aos candidatos vetados.
Um dos candidatos desclassificados foi o ex-presidente ultraconservador Mahmud Ahmadinejad, que nesta sexta-feira publicou uma mensagem de vídeo para denunciar eleições organizadas "contra os interesses do país". "Não quero participar neste pecado", afirmou.
As esperanças provocadas pela eleição do moderado Rohani viraram uma decepção após o golpe que significou a saída dos Estados Unidos, em 2018, do acordo nuclear assinado três anos antes em Viena.
O retorno das sanções americanas agravou o descontentamento e a rejeição às autoridades no Irã, que viveu duas ondas de protestos (2017-2018 e novembro de 2019), ambas violentamente reprimidas.
Para a oposição no exílio e para as ONGs, Raisi é a encarnação da repressão, e seu nome está associado às execuções de detidos de esquerda em 1988. Ele nega qualquer participação.
A prioridade do próximo presidente será a recuperação econômica.
Neste ponto, todos os candidatos concordam com a necessidade da suspensão das sanções americanas impostas sob o governo de Donald Trump, medida que é objeto de negociações na capital austríaca para salvar o acordo de Viena e reintegrar os Estados Unidos.

Fonte: UOL



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