segunda-feira, 28 de junho de 2021

Fim da novela: após 20 dias, Lázaro Barbosa é morto em Goiás

Após 20 dias de buscas, Lázaro Barbosa de Sousa, de 32 anos, morreu durante confronto policial na manhã desta segunda-feira, 28. A informação foi confirmada pela assessoria da Secretaria de Segurança Pública do Estado de Goiás (SSP-G0). De acordo com informações compartilhadas por agentes que participavam da operação, Lázaro estava próximo a um córrego onde houve um confronto. A informação do fim da caçada por Lázaro foi confirmada mais cedo, por volta das 09h30, pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM).  
Ele foi atingido e chegou a ser levado para uma viatura do Corpo de Bombeiros, mas não resistiu. Vídeo que está circulando pelas redes mostra momento em que ele é retirado por policiais de uma viatura da polícia e levado para um veículo do Corpo de Bombeiros.
Durante a madrugada, equipes policiais intensificaram o cerco em uma região de Águas Lindas de Goiás, no Entorno do DF, após uma denúncia afirmar que teria visto o investigado em uma casa na região, na noite deste domingo, 27.
A informação foi confirmada por meio de uma publicação no Twitter pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado. "Temos a informação das forças de segurança que estão na região de Cocalzinho de que o Lázaro foi preso. Quero cumprimentar a todos aqueles que estão ali há vários dias trocando informações para chegar a esse resultado final, a prisão do Lázaro. Meus cumprimentos a todas as forças de segurança que ali interagiram, trabalharam com determinação para mostrar que a lei está acima de tudo."
Após os crimes cometido por Lázaro, foi criada uma força-tarefa para as buscas com mais de 200 policiais de diferentes batalhões e cães farejadores. Duas pessoas chegaram a ser presas por auxiliar o fugitivo durante a fuga. O caseiro Alain Reis de Santana, de 33 anos, foi liberado em audiência de custódia e o fazendeiro Elmi Caetano Evangelista, de 74, segue preso.
O rastro de mortes cometidas pelo lavrador Lázaro Barbosa de Souza, de 32 anos, começou com o assassinato de um homem visto como “amigo” dele e do padrasto deste, na madrugada de 17 de abril de 2008, no povoado de Melancia, a 8 quilômetros de Barra do Mendes (BA), onde o acusado nasceu e cresceu. Na época, Lázaro tinha 18 anos, morava em Goiás e estava no local “a passeio”, segundo o mesmo em depoimento. Ele chegou a ficar um tempo preso, mas conseguiu fugir e, até hoje, corre um mandado de prisão pelo crime.
O POPULAR teve acesso à denúncia feita pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) e aos depoimentos de testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa, além da do próprio Lázaro. Ele confessou ter matado José Carlos Benício de Oliveira e Manoel Desidério Silva, mas disse que o primeiro foi de forma acidental e o segundo por medo de vingança. Para a promotoria, Lázaro matou porque o primeiro defendeu uma moça que estava sendo ameaçada pelo acusado.
Na noite anterior, Lázaro tinha saído com um amigo e passado por bares e uma boate da região, bebendo até por volta de 2h. Ambos estavam em uma moto e o acusado foi deixado em Melancia pelo amigo. Ele então foi até a casa de Adriana Rosa Sales, por quem tinha interesse armado com uma espingarda, de touca e uma capanga carregada de munição. Consta no processo que Lázaro possa ter ido até lá para roubar uma moto, o que ele nega. Assustada, Adriana gritou por socorro e foi acudida por vizinhos. Até então ninguém tinha visto Lázaro, que estava escondido.
Os depoimentos colhidos pela promotoria apontam que Lázaro entrou na casa de José Carlos por volta das 4h pensando que a família deste estava protegendo a jovem e o filho dela de 5 anos. A filha da vítima chegou a dizer que o lavrador poderia levar “DVD, leva a televisão, mas deixa a nossa vida em paz”. Lázaro respondeu que “só queria a Adriana”.
José Carlos, que havia aproveitado que tinha acordado para prender um cachorro no quintal do vizinho, encontrou com Lázaro do lado de fora da casa e perguntou o que estava fazendo ali. Segundo as testemunhas, o rapaz não respondeu nada, apenas efetuando um disparo que atingiu a vítima, fugindo em seguida. A vítima deu “uns quatro passos e caiu”, foi levada para um hospital, mas não resistiu aos ferimentos.
Neste interim, Lázaro foi até a casa de Manoel, padrasto de José Carlos, no povoado Melancia II, bateu na porta, foi recebido pelo filho da segunda vítima, Edejalma Desiderio de Novais, e, segundo este, disse: “Eu quero seu pai.” O dia estava amanhecendo já. Manoel aparece nos fundos em direção aos dois, Lázaro pede para o outro se afastar, o padrasto de Carlito chega mais perto da porta e pergunta: “o quê?”. O acusado, segundo Edejalma, responde secamente: “Adeus”, e dispara um único tirou que acerta a vítima no peito. Manoel morreu a caminho do hospital.
Assim como está fazendo agora, Lázaro se escondeu no matagal da região, mas na época não houve a mobilização policial da mesma proporção. Após oito dias escondido, o lavrador resolveu se entregar, indo até a fazenda de um conhecido. Em audiência na Justiça, disse que estava cansado de fugir. Para a polícia, a decisão se deu por falta de recursos no mato.
Tanto Lázaro como as testemunhas dizem que ele mantinha uma relação de amizade com José Carlos. O acusado disse que ia todos os dias à casa do amigo, o que foi confirmado por um dos filhos da vítima. Na audiência, este filho disse que “o pai era amigo demais da conta do acusado”, “que o acusado vivia na casa” deles “para comer, beber e ouvir música”.
Lázaro chegou a ser ouvido pela Justiça pelo duplo homicídio e confessou a autoria. Entretanto, disse que matou o amigo de forma acidental, “no susto”, e o segundo por temer que quisesse se vingar do crime, já que com este tinha uma “rixa antiga”. Por causa desta desavença, o acusado disse que chegou a morar por mais de um ano em Goiás, ainda adolescente, tentou voltar para o povoado, sem sucesso, e estava lá visitando os familiares.
O acusado diz que estava bêbado e tinha ido até a casa de Adriana para “fazer medo para ela”, mas não explicou o motivo. Ainda segundo ele, a jovem começou a gritar e então aparece um vulto atrás dele com um cachorro, quando atirou e só neste momento percebeu que se tratava de Carlito. Fugiu para casa, “pensou no que fez” e que foi conversar com Manoel, mas na casa deste ao vê-lo se aproximar, achou que estava armado e atirou primeiro.
Ele também disse que durante o tempo em que ficou escondido na mata não ameaçou ninguém e ficava entrando nas chácaras para se alimentar sem que ninguém percebesse. Numa das casas, ele trocou a espingarda usada no crime por uma cartucheira e tentou escapar com um carro, mas o mesmo quebrou no caminho, por isso ficou sempre a pé.
A forma como Lázaro se escondeu da polícia em Barra de Mendes é semelhante à atual, porém agora de forma mais violenta, já que tem encontrado famílias nas casas invadidas nos distritos de Eudilândia e Girassol e em Ceilândia, onde foi autor de uma chacina no dia 9 de junho. No processo ao qual O POPULAR teve acesso não fica claro como Lázaro conseguiu fugir após a prisão em Barra do Mendes ou mesmo quando isso ocorreu.
Em abril de 2020, Lázaro teria invadido uma chácara próxima a Santo Antônio do Descoberto (GO) e feito quatro idosos reféns. Ele teria acertado a cabeça de um homem com um machado. A vítima sobreviveu.
Já em maio, o suspeito teria invadido outra chácara, próxima à da família assassinada em Ceilândia. Nela, ele amarrou as vítimas e as ameaçou com revólver e faca, obrigou todos a ficarem nus e as moças da família a cozinharem para ele.

Fonte: Jornal O Popular de Goiânia



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