segunda-feira, 24 de maio de 2021

Bacias do Aguapeí e Peixe são destaque no aumento da cobertura vegetal do Estado

As bacias dos rios Aguapeí e Peixe, que nascem em Garça, são destaques no aumento da cobertura vegetal no Estado de São Paulo. Essa é uma das conclusões de um estudo produzido pelo Geolab – Esalq USP (Universidade de São Paulo), em parceria com a entidade SOS Mata Atlântica.
Segundo esse levantamento, o Estado de São Paulo possui um déficit estimado de 768.580 hectares de APPs (Áreas de Preservação Permanente), sendo 111.785 hectares no Cerrado e 656.795 na Mata Atlântica, além de 367.403 hectares de reserva legal, somando um total de 1,14 milhão de hectares de déficit a ser restaurado e/ou compensado. Do total do déficit de APPs, apenas 16% são referentes a propriedades pequenas e 48% concentram-se em propriedades de grande porte.
Segundo os dados apresentados nessa pesquisa, a cidade de Garça conta com uma área de vegetação estimada em 55.580 hectares, sendo que o déficit de APPs mínimo fica em 3.644 hectares, com o déficit total chegando a 4.552 hectares. O montante de vegetação nativa chega a 12.039 hectares, com o somatório de vegetação nativa e áreas de preservação permanente de 29,85%, muito próximo dos 30%, que é o indicador recomendado para manter o equilíbrio ecológico na paisagem, garantindo a conservação da biodiversidade.
Esse percentual também é verificado na região, com Gália tendo 31,21% na relação entre vegetação nativa e APP, ao passo que em Fernão tal patamar atinge 27,49%.
"Destacam-se as bacias do Peixe e Aguapeí no oeste do Estado, que passam de cerca de 13% de cobertura de vegetação nativa para 18% apenas com a restauração de APP faixa mínima (ganho de 53.787 e 87.247 hectares, respectivamente), atingindo cerca de 20% com a restauração total. Cerca de 50% do déficit de APP de faixa mínima da bacia do Peixe é referente a propriedades grandes (maiores que 15 módulos fiscais), e na bacia do Aguapeí essa porcentagem chega a 55%". A bacia do rio Mogi-Guaçú também atinge 20% de cobertura de vegetação nativa quando da restauração total de APP", aponta o estudo.
Atualmente existem apenas 104 municípios no Estado de São Paulo (16% do total) com vegetação nativa maior ou igual a 30%. Esse número passaria para 134 com restauração de APP faixa mínima e 160 com restauração de APP total. Ou seja, 30 municípios alcançam os 30% apenas com restauração da faixa mínima, e 56 alcançam essa porcentagem com restauração total de APP. 
Dos 634 municípios no bioma Mata Atlântica, 117 possuem atualmente vegetação nativa maior ou igual a 30% em seu domínio. Esse número passaria para 147 com a restauração de faixa mínima de APP, e 176 com a restauração de APP total. 
No Cerrado o cenário é mais preocupante, com apenas dez municípios de 192 com vegetação nativa maior ou igual a 30%. Esse número passaria para 17 apenas com a restauração de APP mínima, e 28 com a restauração de APP total. 
Cerca de 79% dos municípios no Estado possuem atualmente cobertura igual ou maior a 10% de vegetação nativa. Com a restauração da área de preservação permanente mínima haveria um salto para 92% (591) dos municípios, e com a restauração total de APP, 95% (611). 
Os municípios atualmente com vegetação nativa abaixo de 10% se concentram no oeste paulista, na região de Ribeirão Preto, Piracicaba e Paranapanema. Paisagens com cobertura florestal abaixo de 10% são consideradas totalmente desflorestadas. Porém, é possível observar que grande parte dos municípios consegue atingir mais de 10% de vegetação nativa apenas com a restauração de APP.
"Também é possível observar que muitos municípios conseguem atingir 20% de vegetação nativa apenas com restauração de faixa mínima. Passamos de cerca de 30% dos municípios com esse percentual ou mais atualmente, para 40% com a recuperação da faixa mínima de APP. Destacam-se municípios como Potim, Santa Branca, Arapeí, Canas, Lorena, Tremembé, Mombuca e Cachoeira Paulista com os maiores ganhos relativos em vegetação nativa. Os municípios de Potim e Canas, por exemplo, saem de 6% e 11% de cobertura de vegetação nativa atual para 17,5% e 21% apenas com recuperação de faixa mínima de APP, chegando a 21,6% e 24% com recuperação total de APP, respectivamente", complementa o estudo.

Fonte: Jornal Debate



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