quarta-feira, 14 de abril de 2021

Irmãos de Garça recebem transplante de coração com dois dias de diferença

Dois irmãos de Garça receberam transplantes de coração neste fim de semana. Em um período de 48 horas, Gustavo e Paloma, de 18 e 19 anos, encontraram doadores compatíveis e realizaram o procedimento no Hospital das Clínicas de Botucatu.
Os jovens têm uma doença cardíaca, genética e rara chamada Doença de Danon. Segundo o coordenador clínico do programa de transplante cardíaco do HC da Unesp, Marcello Felício, essa doença tem um componente genético que é passado pelo lado materno.
"Essa doença acomete o coração, causando uma hipertrofia do músculo cardíaco. O músculo fica mais espessado e, em alguns casos, o coração pode também dilatar. Está associado a arritmias graves e muitos pacientes apresentam também morte súbita", explica Felício.
O rapaz de 18 anos conseguiu um doador compatível primeiro. Na sexta-feira, 09 de abril, o órgão foi transportado do Paraná pela Força Aérea Brasileira. Enquanto ele se recuperava na UTI, no domingo, 11 de abril, a irmã conseguiu um outro coração compatível.
Para a mãe dos pacientes, que também já precisou passar pelo transplante do órgão e perdeu um filho de 15 anos com a mesma doença no ano passado, os jovens tiveram uma rara oportunidade de receber os corações.
"Como eu passei por um óbito dentro de casa, eu tinha muito medo de ver mais dois, então esse milagre que aconteceu dentro desses sete dias foi tremendo para mim. Até a medicina ficou abismada com o que aconteceu. No meio de uma pandemia aparecer dois corações assim para os dois irmãos, [...] foi muito lindo, não canso de agradecer", declara Noeli Rodrigues de Souza.
Segundo a mãe, os jovens estão bem e se recuperam na mesma UTI no Hospital das Clínicas de Botucatu.
Conseguir dois doadores em período de dois dias é ainda mais difícil durante a pandemia de coronavírus. Os hospitais, com leitos lotados de pacientes com Covid-19, precisam isolar completamente quem recebeu transplante, e o sistema de saúde ainda precisa enfrentar outra barreira: a falta de doadores.
"No Brasil, devido à baixa oferta de órgãos, a gente realiza apenas 27% da demanda, da necessidade de transplante cardíaco no país", aponta o coordenador clínico do programa de transplante.
Só no estado de São Paulo, no mês passado, 135 pessoas aguardavam por um transplante cardíaco. Por isso, a chance dos irmãos é só motivo de gratidão.
"É agradecer às famílias que doaram aos meus filhos porque é um bem, olha, maravilhoso que fizeram. Agradeço muito de coração", completa Noeli.

Fonte: G1



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