quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Empresa contratada para construir praça de pedágio é suspeita de calote em Garça

A construção da praça de pedágio na Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, em Garça, foi interrompida, após a empresa terceirizada, contratada para fazer obras ao longo de rodovias do interior paulista, dar calote em seus funcionários e em comerciantes locais.
Diante da crise no comércio causada pela pandemia da covid-19, a obra poderia movimentar o comércio local e ser uma oportunidade para os trabalhadores.
No entanto, depois de contratar funcionários, firmar contratos com lojas, postos de combustíveis, restaurante e hotel, a Semco Soluções em Engenharia, Montagens e Construções, baseada na cidade de Catanduva, não cumpriu com os pagamentos das pessoas contratadas e gerou dívidas com comerciantes da cidade.
Após ficarem sem respostas, os funcionários contratados para realizar a obra organizaram, nesta terça-feira, 23 de fevereiro,, um protesto em frente à praça de pedágio para cobrar explicações da concessionária e da terceirizada.
No último dia 10 de fevereiro, os comerciantes também fizeram um protesto no mesmo local. Segundo eles, já tinham sido feitas diversas tentativas amigáveis de negociação sem sucesso.
Sem retorno ou prazos, o grupo não descarta a possibilidade de levar o caso para a Justiça, inclusive acionando outras esferas do poder público.
O dono de uma loja contratada e presidente da Associação Comercial da cidade, João Galhardo, afirma que teve um prejuízo de cerca de R$ 87 mil.
“Primeiro, a empresa veio pedir os produtos, pesquisamos no SPC e eles tem o nome limpo. Nós atendemos eles com vários produtos.”
Além dele, Gustavo Cezar Henrique da Silva, proprietário de uma rede de postos de combustível, ressalta que não recebeu o valor estimado em R$ 200 mil de combustível comprado pela empresa.
“Agora no meio de dezembro pra cá começaram os atrasos. Em três dias eles vieram e já sabiam que iriam abandonar a obra, levaram R$100 mil de combustível, e você não consegue falar com ninguém, com superior, com engenheiro.”
O comerciante Carlos de Souza hospedou os funcionários e também conta que teve altos prejuízos. “Fiquei com um ônus em dois hotéis, mais uma loja, total de R$ 84 mil”.
Outra comerciante lesada pela empresa foi Rosemi Ribeiro, dona do restaurante que forneceu almoço e jantar para os funcionários da obra durante três meses e também não recebeu nada.
“Faz muita diferença, tenho funcionário, fornecedores, a gente precisa resolver isso. Mexeu muito com a cidade, todos nós estamos juntos aqui e estamos lutando por isso, faz uma grande diferença.”
O acordo entre a concessionária e a terceirizada foi cancelado depois que a empresa deixou de fazer os pagamentos e a concessionária entrou na Justiça contra a Semco.
A situação gerou revolta na cidade e os envolvidos devem responder pela situação e resolver o problema dos trabalhadores prejudicados, diz o advogado Ricardo Ramalho.
“Isso é a concessão de um serviço público, quem tem a obrigação de fazer o pedágio e conservar a estrada é o estado, ele terceirizou para a eixo, que subcontratou a Semco, que de fato não pagou seus fornecedores. É uma cadeia, e em tese, todos respondem pelas obrigações não cumpridas”, explica o advogado.
O advogado disse ainda que na falta de uma resposta, vai pedir na Justiça o bloqueio de parte do recurso que está no contrato entre as empresas para garantir o pagamento aos comerciantes.
Em nota, a concessionária que administra o trecho disse que mantém canal aberto com os comerciantes e sempre cumpriu seus deveres.
Já a Semco Engenharia, também por meio de nota, informou que a direção financeira da empresa já trabalha na solução desta questão e o pagamento de funcionários e fornecedores está ligado diretamente a liberação de recursos da contratante. Acrescenta ainda que as duas empresas estão em constante tratativas para apontar juntas a solução desta questão.

Fonte: TV Tem



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