quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Angola: antigos representantes das Forças Armadas não recebem salários

Oficiais generais e subalternos reformados de Angola pediram a intervenção do presidente do país para o pagamento de subsídios atrasados por parte do Estado, avaliados em 130 mil milhões de kwanzas (162 mil milhões de euros). Eles ameaçaram uma manifestação nus no Palácio Presidencial caso o acerto não ocorra.
Os oficiais generais, superiores, capitães e subalternos reformados de Angola queixam-se de cortes nas suas pensões de aposentadoria e nos subsídios das donas de casa desde 2009, afirmando estar jogados à própria sorte e sem quaisquer meios de subsistência para as famílias.
A "indignação" dos ex-oficiais angolanos aposentados, viúvas e órfãos foi apresentada à imprensa numa declaração pública na qual relatam um quadro "crítico e dramático" em que se encontram os mais de 1.600 membros associados.
Mais de 300 pessoas, entre oficiais reformados, viúvas e órfãos, "agastados com a situação", participaram no encontro, que ocorreu nsta quinta-feira, 21 de janeiro, na antiga Feira Popular de Luanda, capital do país.
O presidente da Associação dos Oficiais Generais, Superiores, Capitãs e Subalternos Reformados de Angola, José Alberto "Limuqueno", pediu "encarecidamente", na ocasião, a intervenção do presidente angolano para a liquidação da dívida por grau de patente.
Para o brigadeiro de 65 anos, reformado compulsivamente em 2004, a penalização de que dizem ser alvo tem origem no decreto-lei 16/94 de 10 de agosto do ano passado que, de "forma injusta", dá sustentação apenas a pensões para quem tenha 20 anos nas Forças Armadas Angolanas (FAA).
"Os descontos que nos são feitos são incalculáveis e mergulhamos todos na pobreza extrema por não termos 30 anos das FAA, que foram fundadas em outubro de 1992. Elas [as FAA] não têm nada ver conosco por que já éramos militares antes das FAA", disse.
Segundo o oficial, os cortes nas pensões e nos subsídios para donas de casa tiveram início em 2009 e há 11 anos que os associados são "penalizados" com cortes mensais entre os 70.000 (87 euros) e 200.000 kwanzas (245 euros).
A dívida total acumulada, disse, está avaliada em 130 mil milhões de kwanzas (162 mil milhões de euros).
"É triste e vergonhoso, essa pensão de reforma que nos cortaram cria um descontentamento de grande envergadura, estamos todos afetados e a pobreza atingiu a todos", lamentou.
"Estamos andando a pé todos os dias, não temos direito a meios de transporte, casa, alimentação... Há colegas nossos que estão no lixões procurando de comida, o sofrimento é grande e toma contornos altamente complicados", frisou.
O brigadeiro Limuqueno apontou que, em 2015, o ex-presidente angolano José Eduardo dos Santos havia orientado as estruturas para liquidar a dívida, mas, até ao momento, o quadro não se alterou, pedindo agora a intervenção de João Lourenço, atual dirigente do país.
"Pedimos encarecidamente ao presidente, comandante em chefe das FAA, que ordene ao executivo para pagar o nosso dinheiro de acordo à patente de cada um para podemos sobreviver com dignidade", sublinhou.
"Várias manifestações" de protesto foram suspensas nos últimos anos, inclusive a última, agendada para 07 de novembro de 2020, sob "promessa das autoridades" de pagarem a dívida, mas tal não foi cumprido.
"Se o mês de janeiro terminar e não nos pagarem o dinheiro, dia 20 ou 21 de fevereiro vamos sair à rua e iremos ao palácio presidencial", assegurou.
Isabel Luís, viúva de um ex-coronel, pediu também a "benevolência" do presidente angolano para a resolução de suas inquietações, sustentando que seus filhos estão fora da escola e o "lixo, muitas vezes, é o recurso para alimentar as crianças". 
"Só pedimos pelo menos para que essas pobres viúvas possam ser atendidas e, caso não nos atenderem, vamos até ao Palácio sem roupa, com sacos amarrados ou mesmo nuas", complementou.

Fonte: Notícias ao Minuto



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