sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Glenn Greenwald anuncia seu desligamento do site The Intercept

O jornalista Glenn Greenwald, co-fundador do The Intercept, pediu demissão do site. Ele alegou que foi censurado por causa de um artigo que escreveu sobre Joe Biden, candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos. O The Intercept publicou uma nota de esclarecimento, na qual critica o jornalista e diz que ele estaria fazendo um papel de "vítima".
Glenn escreveu um texto sobre o pedido de demissão e publicou no site Substack. Também prometeu que vai publicar, neste mesmo site, o artigo sobre Biden. Segundo ele, trata-se de um texto com "sessões críticas" sobre o candidato e o filho dele Hunter Biden. O jornalista afirmou que os outros editores do The Intercept estão apoiando Biden com veemência e por isso não quiseram publicar o artigo no The Intercept.
"O artigo censurado, baseado em e-mails revelados recentemente e depoimentos de testemunhas, levantou questões críticas sobre a conduta de Biden. Não contentes em simplesmente impedir a publicação deste artigo no veículo de comunicação que eu cofundei, esses editores da Intercept também exigiram que eu me abstivesse de exercer um direito contratual de publicar este artigo em qualquer outra publicação", escreveu Glenn.
O jornalista também alegou que não via problemas por discordar dos editores politicamente. Mas queria que o site publicasse textos com opiniões diferentes e desse liberdade para os leitores decidissem quem está certo.
No texto, Glenn relembrou a própria trajetória como jornalista, desde quando era colunista, e citou que sempre pediu liberdade para escrever o que quisesse, com independência e sem censura, algo que também prezava no The Intercept. Agora, segundo ele, o site age de forma diferente.
"A iteração atual do The Intercept é completamente irreconhecível quando comparada com a visão original. Em vez de oferecer um local para a discordância, para vozes marginalizadas e para perspectivas desconhecidas, está rapidamente se tornando apenas mais um meio de comunicação com lealdades ideológicas e partidárias obrigatórias", afirmou Glenn, entre outras críticas, sobre problemas recentes.
Durante o texto, Glenn citou as reportagens que publicou no site The Intercept Brasil, que ficaram conhecidas como "Vaza Jato".
"O Intercept fez um ótimo trabalho. Seus líderes editoriais e gerentes do First Look apoiaram firmemente as reportagens difíceis e perigosas que fiz no ano passado com meus bravos jovens colegas do The Intercept Brasil para expor a corrupção nos mais altos escalões do governo Bolsonaro, e nos apoiaram enquanto suportávamos ameaças de morte e prisão", lembrou Glenn.
Por fim, Glenn indicou que estava aguentando bem os problemas que via no site, mas a censura foi a gota d'água para que ele saísse. Também disse que cogita criar um novo meio de comunicação futuramente. E no final do texto, ele divulgou o e-mail com o pedido de demissão que enviou, no qual também apresenta as críticas contra o The Intercept.
Na tarde de hoje, o The Intercept publicou uma nota de esclarecimento e criticou duramente o jornalista. Segundo o texto, Glenn "acredita que qualquer pessoa que discorde dele é corrupta e qualquer pessoa que pretenda editar suas palavras é um censor". De acordo com o posicionamento do site, o cofundador estaria fazendo um papel de "vítima".
A narrativa que "Glenn apresenta sobre sua partida está repleta de distorções e imprecisões - todas destinadas a fazê-lo parecer uma vítima, em vez de uma pessoa adulta fazendo birra", diz o texto. "É importante deixar claro que nosso objetivo ao editar seu trabalho era garantir que fosse preciso e justo", completa.
A nota oficial também diz respeitar Glenn pelos anos de trabalho e diz que continuam orgulhosos do que o jornalista e o The Intercept produziram juntos.
"Foi Glenn quem se desviou de suas raízes jornalísticas originais, não The Intercept", concluiu o texto do site.

Fonte: UOL



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