quarta-feira, 9 de setembro de 2020

'O Barato de Iacanga' disputa o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro

O documentário musical "O Barato de Iacanga" saiu da sala da casa do diretor Thiago Mattar através de um bate-papo com seu pai, Joaquim Mattar, e viajou por festivais de cinema. Foi à África, à Europa, à Ásia, além de sessões lotadas em várias partes do Brasil. Até as telinhas da Netflix o longa conquistou no último ano. Mas é no próximo mês que esse barato pode alçar um salto ainda maior, por conta de sua indicação ao 19º Grande Prêmio do Cinema Brasileiro.
Promovido pela Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais, o evento, que será apresentado no dia 10 de outubro, às 22h15, pela TV Cultura, dá aos vencedores o Troféu Grande Otelo, prêmio mais importante do cinema nacional. Além de concorrer como Melhor Longa-Metragem Documentário, o filme sobre o Festival de Águas Claras precisa de votos para ganhar o título de Melhor Filme na categoria Voto Popular.
Os finalistas concorrem em 32 categorias e foram escolhidos em votação pelos sócios da Academia. "Bacurau", dirigido por Kléber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, é o longa com maior número de indicações (15 categorias), seguido por "A Vida Invisível", de Karim Aïnouz (14), e "Simonal", de Leonardo Domingues (10).
O diretor Thiago Mattar - dracenense que morou em Bauru desde alguns dias de vida até os 8 anos - diz que é surpreendente que sua obra tenha chegado assim, tão longe. "É loucura pensar que tudo começou por pura obsessão de contar a história que ouvi do meu pai, da minha família. Era uma história inacreditável, que tinha rolado na região, e não havia nada a respeito. Parecia ficção", diz. "Não havia livro ou filme que eu pudesse usar como ponto de partida para minha pesquisa. Senti que era minha missão como alguém que cresceu em Bauru, tão perto daquilo, pesquisar e contar essa história por conta própria", completa.
Dez anos depois dessa obsessão tomar Thiago Mattar, "O Barato de Iacanga" ficou pronto e encheu diversas telas, inclusive, a do estádio municipal da cidade, palco do filme, no ano passado.
Concorrendo com outros quatro importantes documentários lançados no ano passado, todos dirigidos por nomes expressivos, "O Barato de Iacanga" é o único filme de um diretor estreante. "É uma honra gigantesca ser indicado ao prêmio mais importante do nosso cinema. Saber que a Academia reconheceu a importância do filme encheu a mim e todos da equipe de orgulho. Rolou aquela sensação de missão cumprida", afirma Thiago Mattar.
O diretor está na expectativa do resultado da Votação Popular, que já começou no site da Academia e termina no dia da cerimônia, 10 de outubro. "Aproveito aqui para convidar todo mundo a votar lá no site. Se Bauru, Iacanga e região nos ajudar, temos chance de vencer! Vamos torcer!", finaliza.
O documentário musical de Thiago Mattar conta a história de uma fazenda familiar localizada em Iacanga, que foi palco do lendário Festival de Águas Claras. Suas quatro edições, entre as décadas de 1970 e 1980, reuniram milhares de pessoas.
O evento contou com importantes nomes da música brasileira, como Gilberto Gil, Hermeto Pascoal, Luiz Gonzaga, Egberto Gismonti, Sandra de Sá, Raul Seixas, Alceu Valença e João Gilberto. Produtores e artistas, apoiados por raras imagens de arquivo, conduzem esse documentário musical que revela a verdadeira história de ativismo político e cultural por trás do festival conhecido como o "Woodstock brasileiro". O longa está disponível no catálogo da Netflix Brasil.
"Celebrando a riqueza multicultural da nossa música em incríveis performances dos maiores artistas nacionais do período, esses festivais furaram o bloqueio da ditadura e permitiram o encontro de milhares de jovens de todos os cantos do País em um clima de liberdade impensável para aqueles tempos", acrescenta o diretor.

Fonte: Jornal da Cidade de Bauru



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