quarta-feira, 15 de julho de 2020

Venda de carteira do BB para banco ligado a Guedes gera questionamentos

No dia 01 de julho ocorreu uma cessão de carteira de créditos do Banco do Brasil para o banco BTG Pactual. Essa operação, apesar de normal, de acordo com a economista do Dieese Cátia Uehara “foi pouco transparente”.
Dessa forma, segundo Uehara ressalta: “Não foi possível saber se o valor foi baixo demais, por exemplo. E nem se isso beneficiou o BTG”.
Contudo, para o deputado federal Pompeo de Mattos (PDT/RS), a operação foi definida como “negociata”. De acordo com o deputado, a venda da carteira de créditos do BB, cujo valor contábil é de R$ 2,9 bilhões, por  R$ 371 milhões mais impostos é muito vantajosa ao Pactual. Ou seja, o BTG Pactual pode ter uma grande margem de lucro com a operação.
No mesmo sentido, o deputado ainda falou para a TV Câmara sobre a operação realizada pelo Banco do Brasil e o BTG Patual. Segundo ele, a relação do ministro da Economia, Paulo Guedes, com o BTG e sua atual posição de “chefe” do Banco do Brasil colocam a operação em suspeição. Ele ainda completa dizendo que há uma política de “esquartejamento” das empresas públicas, vendendo áreas estratégicas, porque não podem privatizar as empresas estatais sem passar pelo Congresso Nacional.
Por iniciativa do deputado federal Glauber Braga (RJ), a bancada do PSOL protocolou requerimento pedindo esclarecimentos sobre a cessão de carteira de crédito do Banco do Brasil ao BTG Pactual. Além do requerimento de informações, a bancada também protocolou um convite de comparecimento do presidente do Banco do Brasil, vinculado ao Ministério da Economia, Rubem Novaes, para responder sobre o assunto à Câmara dos Deputados.
O principal motivo das ações é que essa é a primeira vez em sua história que o Banco do Brasil realizou uma operação de cessão de carteira de crédito a uma instituição fora de seu conglomerado. Segundo João Fukunaga, diretor executivo do Sindicato dos Bancários e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), a operação foi feita sem transparência e levanta suspeitas.
“A venda é bastante suspeita ao beneficiar, pela primeira vez, um banco fora do conglomerado e que justamente foi criado pelo ministro bolsonarista. Como saber se o BB não está sendo usado para interesses escusos do Paulo Guedes?”, questionou.
A Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (ANABB) também estranhou a operação e, em ofício enviado ao Vice-Presidente de Gestão Financeira e de Relações com Investidores do banco, solicitou uma série de informações sobre a cessão da enorme carteira de crédito a uma instituição privada.

Fonte: Reconta Aí/Blog do Esmael


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