quarta-feira, 22 de julho de 2020

Lar Meimei tem estrutura para trabalhar café e agrega produto em cestas básicas

O Lar Meimei de Garça, departamento de assistência e promoção social do Grupo Espírita Fraternidade, é uma referência na questão da assistência social, dando apoio a um significativo número de famílias e de pessoas em situação de vulnerabilidade econômica. Presente em Garça desde 1960, a entidade hoje trabalha oferecendo sopa duas vezes por semana, cesta mensal de alimentos para cerca de 130 famílias e enxovais para recém-nascidos, além da promoção de palestras e encontros aos assistidos, com análises de temas do dia a dia, como saúde, espiritualidade, vida afetiva, educação dos filhos, violência, drogas, direitos, autoestima, trabalho, entre outros.
Além desse trabalho, o Lar também incorporou uma atividade focada num produto que tem uma relação das mais estreitas com o município de Garça: o café.
A sede da instituição, localizada à avenida Labieno da Costa Machado, agora conta com uma estrutura para rebenefício e uma torrefação do grão, tal qual é a empregada na produção de cafés especiais. Os grãos que são "trabalhados" em tal área são incorporados na cesta básica oferecida mensalmente pelo Lar para as famílias atendidas, também é utilizado no consumo interno da entidade e ainda é ofertado para a comunidade em geral na lojinha da instituição, que comercializa produtos variados, como compotas, doces e outros artigos.
O café que é rebeneficiado e torrado no Lar e que passa a ser ofertado nas cestas básicas é fruto de doções dos produtores membros do Congar (Conselho do Café da Região de Garça). Adicionalmente, a estrutura implantada na sede da instituição permite a realização de serviços voltados para os cafeicultores.
"Tudo isso que estamos colocando aqui tem a intenção de a gente prestar serviço. Cobrar por isso, e, inclusive, o excedente é doado", explicou Tamis Lustre, diretor do Café Inglez, que foi a marca responsável pela instalação dessa área de trabalho do Lar.
"O café verde chega aqui, a gente passa por uma peneira, na qual são separados os 16 acima e os abaixo disso. Depois, há duas máquinas eletrônicas que separam o grão por cor, retirando o PVA (preto, verde e ardido) dos grãos 16 acima, já que as impurezas interferem na bebida e não podem compor um café especial", complementou o cafeicultor. Pelas normas de classificação, o café 16 (e acima dessa peneira) é aquele de maior tamanho e mais demandado em mercados de qualidade.
Além disso, no local também foi instalado um torrador de café com capacidade de dez quilos, sendo que cada torra e resfriamento levam em torno de 20 minutos, o que dá uma autonomia do equipamento para a obtenção de em torno de 30 quilos de café torrado por hora.
"Depois do torrador, o que separamos para pó passamos no moedor, o que a gente separou para grão já colocamos para embalar, sendo que temos um embalador com datador. Mais para frente faremos uma experiência, pois já temos uma encapsuladeira, ou seja, faremos cápsulas do tipo Nespresso, compatíveis, mais ainda estamos fazendo testes", explicou Lustre.
No âmbito da estrutura implantada no Lar, há a possibilidade de receber o café verde de um cafeicultor que apenas quer limpar o produto, ou rebeneficiar e também rebeneficiar e torrar, seja para o preparo em grão (para uso em máquinas) ou em pó. Além disso, os cafés doados, os excedentes dos grãos verdes e escolhas são direcionados par fazer o café que é ofertado na cesta básica e que também é vendido na loja. Do valor arrecadado nos processos executados na instituição, um percentual também é revertido para os trabalhos sociais do Lar Meimei.
O trabalho com café nesse espaço social teve início há cerca de um ano e meio, quando vários produtores locais foram convidados por Lustre para ajudar nessa ação. Os equipamentos implantados na entidade foram adquiridos pelo Café Inglez. "Não me conformava que um local como o Lar, que não tem nenhuma ajuda politica, pública, a não ser a da própria população e dos voluntários, numa terra em que se produz de 600 mil a 1 milhão de sacas de café, que o café da cesta básica tivesse de ser comprado com a renda que eles conseguiam em eventos como a Festa da Cerejeira ou com a venda de doces", explicou o produtor, que indicou que a partir dessa constatação foi iniciado o projeto que agora está em curso e que envolve basicamente micros e nanolotes de grãos de qualidade.
O Lar Meimei, além de entregar cestas básicas mensais, também realiza a oferta de sopa, duas vezes por semana, e diversas outras ações, sendo que essas atividades estão amparadas basicamente no trabalho voluntário. "A cesta básica é doada todos os meses e, é claro, o ideal seria que as doações não fossem apenas pontuais. Mas as doações não podem ser mensuradas, afinal, o serviço voluntário é muito complexo. Fazemos, de vez em quando, algumas chamadas e as pessoas são muito legais, realizam as doações. Não ficamos pedindo todos os meses, mas devagarzinho vamos sensibilizando e solicitando o apoio", complementou.

Serviço — O Lar Meimei está aberto para receber a contribuição da comunidade e também para atender produtores de café que necessitam efetuar processos como rebenefício e torra. Quem quiser entrar em contato com a entidade pode ligar no número 3471 0606 ou acessar a página www.facebook.com/larmeimei.

Redação do Garca.Jor


Nenhum comentário:

Postar um comentário