sexta-feira, 24 de julho de 2020

Governo Bolsonaro tem estoque parado de 4 milhões de comprimidos de cloroquina

Em uma reunião de emergência no dia 25 de maio, momento em que o Ministério da Saúde negociava a vinda de ao menos três toneladas de insumos para produção da cloroquina , técnicos do comitê te emergência para auxiliar no combate ao novo coronavírus (Sars-coV-2) alertaram a pasta sobre o risco de ficar com um estoque parado do medicamento.
No início de julho, o governo federal tinha uma reserva de 4.019.500 comprimidos de cloroquina - pouco abaixo do total que já havia sido distribuído, de 4.374.000 até aquele momento.
"Devido a atual situação não é aconselhável trazer uma quantidade muito grande, pois caso o protocolo venha a mudar, podemos ficar com um número em estoque parado para prestar contas", diz documento que registra o encontro, obtido com exclusividade pela Folha .
A quantidade de comprimidos em estoque, no entanto, poderia ser maior, já que alguns estados não quiseram receber o medicamento. "Com isso, ficou em estoque para devolução 1.456.616, estamos aguardando maiores definições para proceder ou não com o recolhimento", aponta o registro.
O mesmo documento diz que novas distribuições de cloroquina estariam previstas entre julho e agosto, mas não traz locais ou quantidades.
O histórico das reuniões dos técnicos do Ministério da Saúde também mostra que algumas mudanças nas orientações para oferta da cloroquina foram apenas comunicadas ao comitê, sem que técnicos tivessem poder decisão sobre as medidas.
No dia 9 de junho, por exemplo, representantes da secretaria de gestão do trabalho e educação em saúde apresentaram a proposta de oferta de cloroquina também para crianças e gestantes, na contramão do recomendado por parte das entidades do setor.
Sem comprovação cientifica de eficácia para o novo coronavírus , o remédio é defendido pelo presidente  Jair Bolsonaro (sem partido). Infectado com a doença, ele alega ter tomado o medicamento.

Receita — A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira, 23 de julho, uma resolução que proíbe a venda sem receita de quatro medicamentos em farmácias. A cloroquina, hidroxicloroquina, nitazoxanida e ivermectina – remédio usado contra vermes e parasitas – agora necessitam de prescrição médica para serem adquiridos. Segundo o órgão regulador, essa lista poderá ser revista e modificada, podendo ter a inclusão de novos fármacos.
A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 405/2020, que determina as regras para o controle de prescrição dos medicamentos, foi assinada pelo diretor-presidente da agência, Antônio Barra Torres.
A decisão tem como objetivo coibir a compra indiscriminada de remédios que têm sido amplamente divulgados como benéficos no combate à infecção causada pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2), mesmo que ainda não existam estudos conclusivos sobre a eficácia desses fármacos.

Fonte: Folha de São Paulo e Estado de Minas


Nenhum comentário:

Postar um comentário