quarta-feira, 10 de junho de 2020

Indústria de carrocerias Caio demite 10% de seu pessoal e busca acordo

Após a demissão de cerca de 320 funcionários, o equivalente a 10% do seu quadro de pessoal, a fabricante de carrocerias de coletivo Caio Induscar, em Botucatu, propôs acordo coletivo para evitar novos desligamentos. Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do município, Luiz Cláudio Guimarães, a proposta, que inclui a suspensão de contratos, redução de jornada e de salários e garantia de emprego até 30 de novembro, foi aprovada em assembleia por 84% dos trabalhadores.
Em nota, a fabricante de carrocerias afirma que a pandemia da Covid-19 impactou de maneira negativa a economia mundial, o que exigiu adequações por parte das empresas. "Especificamente no segmento de transporte coletivo, as compras de ônibus caíram de forma significativa, impactando na produção de carrocerias", diz.
"Em um esforço para preservar o equilíbrio financeiro e a maioria dos empregos de toda equipe, a empresa realizou a antecipação de feriados e, na sequência, acordo coletivo, com a duração de dois meses, no qual ocorreu a flexibilização de jornada de trabalho e salário". Com o fim do acordo, em 31 de maio, ocorreram as demissões.
De acordo com a Caio Induscar, "uma importante parcela das demissões foi por opção dos colaboradores". "Se nós fôssemos pautar as nossas decisões apenas em fatos e em números, a quantidade de demissões seria quase sete vezes maior", revela Maurício Lourenço da Cunha, diretor industrial da empresa.
"Foi graças aos recursos disponibilizados pelo governo federal, aliados a estudos de diferentes cenários e à confiança e determinação dos acionistas, que conseguimos formatar uma nova proposta que foi votada em assembleias nesta quinta e sexta-feira, 4 e 5 de junho".
A fabricante explica que o acordo aprovado pelos colaboradores é baseado em três pilares: a suspensão do contrato de trabalho, de acordo com as regras da Medida Provisória 936/2020, nos meses de junho e julho, a redução de jornada de trabalho e de salários entre agosto e novembro de 2020 e o banco de horas, para compensação futura.
Segundo a empresa, praticamente todos os colaboradores entrarão em suspensão do contrato, com escala alternada de trabalho, nos meses de junho e julho, dividida em equipes (50% cada mês). Quem trabalhar integralmente durante o mês, recebe 100% do salário, enquanto que os colaboradores que permanecerem em casa, recebem 30%, mais 70% do valor do benefício emergencial do governo federal.
No mês seguinte, as posições são invertidas. Serão mantidos os afastamentos dos funcionários que fazem parte do grupo de risco. A Caio Induscar também propôs estabilidade no emprego por seis meses e, durante a suspensão dos contratos, os colaboradores terão direito aos planos de saúde e odontológico e cartão com desconto em folha, entre outros benefícios.
Já a redução de jornada terá duração de 116 dias, com validade até 30 de novembro. Durante este período, a redução máxima dos salários será de 40%. Caso a situação de produção total seja alcançada, o percentual retorna para 100% de jornada e salários.
O Banco de Horas é um recurso que poderá ser utilizado caso não haja produção nas unidades fabris. Neste caso, fica garantido o pagamento de 60% do salário. As horas pagas e não trabalhadas serão lançadas em banco de horas e poderão ser compensadas até 31 de dezembro de 2021.

Fonte: Jornal da Cidade de Bauru


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