quinta-feira, 11 de junho de 2020

Camarões: três soldados são acusados de homicídio de 13 civis

Três soldados da República dos Camarões foram acusados pelo assassinato de 13 civis, incluindo dez crianças, num massacre ocorrido em 14 de fevereiro passado na vila de Ntumbo, na região de língua inglesa do país, anunciou hoje o exército do país.
O massacre foi inicialmente negado pelas forças armadas camaronesas, que falavam num "acidente desafortunado" decorrente do conflito com os separatistas de língua inglesa do noroeste do país, antes da pressão internacional levar Yaoundé a admitir que pelo menos dez crianças e três mulheres foram assassinadas por soldados com o auxílio de uma milícia étnica.
Os números anunciados pelo país africano, no entanto, são menores que os tabulados pela ONU (Organização das Nações Unidas), que reportou a morte de pelo menos 23 civis no incidente, incluindo 15 crianças (nove das quais com menos de cinco anos) e duas mulheres grávidas.
"Os três soldados foram acusados de forma particular de assassinato e colocados sob prisão preventiva em um presídio militar de Yaoundé", disse um porta-voz do exército camaronês à Agência Frace-Presse.
Durante dois meses, Camarões negou o massacre denunciado pela ONU e insistiu que havia sido detectada a ocorrência da morte de cinco civis devido à explosão acidental de reservatórios de combustível durante um tiroteio entre soldados e separatistas, antes de o presidente Paul Biya ordenar, finalmente, uma investigação obre o fato.
O conflito entre o exército camaronês e os grupos separatistas e língua inglesa nas regiões noroeste e sudoeste do país prolonga-se há mais de três anos e os combates, aim como epiódios de violência e assassinatos cometidos por ambas as partes contra civis, já causaram mais de 3 mil mortes e forçaram mais de 700 mil pessoas a abandonar as suas casas, de acordo com várias organizações não-governamentais.

Fonte: Notícias ao Minuto


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