terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Bispo denuncia forte perseguição religiosa a cristãos no Burkina Faso

O bispo católico de Ouahigouya, no Burkina Faso, exortou a comunidade internacional a que veja "o que ocorre" naquele país, com frequentes ataques a comunidades cristãs.
"As potências ocidentais devem parar aqueles que estão comentendo esses crimes, não vendendo mais as armas que eles estão usando para matar os cristãos", apelou Justin Kientega, numa mensagem divulgada pela Fundação AIS (Ajuda à Igreja que Sofre), baseada em Portugal.
Segundo o bispo, os cristãos enfrentam uma "perseguição contínua", lamentando a alegada ausência de medidas e de solidariedade da comunidade internacional.
"Ninguém nos escuta", disse o prelado, acrescentando: "Nós, cristãos, somos perseguidos, enquanto o Ocidente permanece indiferente vendendo armas para os terroristas em vez de os deter".
O bispo de Ouahigouya fez este alerta após um ataque a uma igreja protestante no Burkina Faso, ocorrido no dia 01 de dezembro, e que provocou a morte a 14 pessoas.
Esse ataque tem sido atribuído a 'jihadistas' islâmicos, embora Justin Kientega reconheça que "ninguém assumiu a sua responsabilidade". "Não sabemos se é um grupo ou se são vários grupos envolvidos. O que é certo, no entanto, é que eles estão realizando uma campanha islâmica e tentam provocar um conflito entre as religiões num país onde cristãos e muçulmanos sempre viveram pacificamente lado a lado", afirmou.
Segundo a Fundação AIS, calcula-se que, desde o início do ano, mais de 60 cristãos terão sido assassinados no Burkina Faso.
Justin Kientega sublinhou que se vive um "nível sem precedentes de insegurança", que existe um limitção para a própria atuação dos membros da igreja.
Em agosto, o presidente da Conferência Episcopal do Burkina Faso e do Níger, bispo de Dori, Laurent Birfuoré Dabiré, denunciou os massacres de cristãos por parte de grupos jihadistas que "estão mais bem armados e equipados" do que os elementos do exército nacional.
"Se o mundo continuar a não fazer nada, o resultado será a eliminação da presença cristã no país", alertou o bispo na ocasião.
Os ataques, atribuídos a grupos 'jihadistas', contra igrejas cristãs ou outras aumentaram recentemente no Burkina Faso, um país pobre do Sahel, na África Ocidental. Em 26 de maio, quatro fiéis foram mortos num ataque a uma igreja católica em Toulfé, uma cidade do norte do país. No dia 13 de maio, quatro católicos foram mortos numa procissão em honra à Virgem Maria, em Zimtenga, também no Norte. No dia anterior, seis pessoas, incluindo um sacerdote, foram mortas num ataque durante a missa numa igreja católica em Dablo, um município da província de Sanmatenga.

Fonte: Mundo ao Minuto


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