sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Pesquisador de Assis desenvolve tecnologia de ponta na construção de submarino nuclear

O pesquisador Fábio de Camargo é nascido em Assis e durante sua formação estudou em escolas públicas. Aos 17 anos de idade, ele se mudou para a capital paulista, onde fez graduação em Física. Algum tempo se passou desde a sua empreitada, que resultou não apenas em bons frutos para ele, mas também para o Brasil.
Fábio integra atualmente dois dos principais programas da Marinha Brasileira, que inclui o Programa Nuclear da Marinha (PNM) e o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB).
"Durante a minha graduação eu entrei no estágio de iniciação científica do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN-CNEN/SP), onde me envolvi com a área nuclear. Fiquei lá por mais de três anos, me formei, e depois fiz o mestrado e o doutorado na mesma área, na qual atuo até hoje”, afirma.
O assisense passou em um concurso público da Amazônia Azul Tecnologias de Defesa S.A., a Amazul. Trata-se de uma empresa pública criada pelo governo brasileiro e que tem o propósito de desenvolver, transferir e manter tecnologias necessárias ao PNM, ao Programa Nuclear Brasileiro e ao PROSUB mediante a gestão de pessoas e do conhecimento, a fim de contribuir com a independência tecnológica do país em benefício da nossa sociedade.
"Cada um dos programas tem características diferentes e o objetivo final é construir o submarino nuclear brasileiro. São poucos países do mundo que detém essa tecnologia e, ao atingirmos esse nível, seríamos o sexto país a conquistar isso. É um projeto de grande importância e fico muito feliz em poder fazer parte desse grande time”, salienta.
Mas afinal, o que difere um submarino convencional de um submarino nuclear? Fábio explica que essa tecnologia não está associada com uma arma de destruição em massa como muitas pessoas ainda pensam.
"O submarino com propulsão nuclear não é uma arma nuclear, mas utiliza essa fonte de energia para se movimentar. Além de atingir uma velocidade maior, ele pode ficar submerso por tempo indeterminado, com a vantagem de que não consegue ser detectado. É importante para operações da Defesa do país, visando a manutenção das riquezas da Amazônia Azul (4,5 milhões de km2 de faixa oceânica ao longo da costa brasileira de onde são extraídos mais de 90% do nosso petróleo dentre outras riquezas inexploradas), mas ainda faltam muitas etapas para a entrega desse submarino”, inclui.
Além do nuclear, o PROSUB inclui a construção de quatro submarinos convencionais movidos a diesel. Os submarinos podem atingir cerca de 100 metros de comprimento e aproximadamente 10 metros de diâmetro, chegando a altura máxima de 17 metros.
"O primeiro deles é o Riachuelo, que já foi entregue e está passando por testes na água. O segundo, o Humaitá, já está em etapa final para entrar em água também. Recentemente eu e a equipe apresentamos alguns trabalhos de pesquisa dos projetos durante o INAC 2019, um dos congressos mais importantes da área na América Latina. O evento ocorre a cada dois anos no Brasil e reúne diversos palestrantes internacionais”, diz.
Para finalizar, Fábio ressalta a importância dos estudos na conquista de sonhos.
"É muito interessante sair de uma cidade do interior e atualmente estar em um dos principais projetos estratégicos do governo brasileiro. A juventude pode mostrar que é capaz e que consegue chegar onde quiser, com muito esforço e estudo dá para alcançar seu sonho”, finaliza.

Fonte: AssisCity

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