segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Jornalista Kitty Balieiro é sepultada na cidade de Bauru

Familiares, amigos, companheiros de trabalho se despediram, na manhã desta segunda-feira, 25 de novembro, da jornalista Cristina Maria Guizelini Balieiro ou, simplesmente, a Kitty Balieiro, morta aos 62 anos em decorrência de um infarto. A trajetória guerreira da jogadora de basquete do Bauru Tênis Clube (BTC), jornalista dos principais veículos de televisão do País e, mais recentemente, filantropa foi bastante lembrada durante a despedida, que ocorreu no Centro Velatório Terra Branca, em Bauru. Ela foi sepultada nesta manhã, no Cemitério São Benedito.
Há seis anos, quando deixou uma extensa e sólida carreira no jornalismo esportivo brasileiro, Kitty Balieiro dedicava-se à ação benevolente, presidindo a Associação Beneficente Fraternitas Nosso Lar. De cunho espírita, a entidade atende cerca de dois mil carentes na grande São Paulo. Desde então, ela também assumiu de vez a mediunidade espírita: tinha, inclusive, o dom da psicografia.
Foi assim, graças ao espiritismo, que Nélia Carrer Cetra, hoje voluntária do grupo Fraternitas, se aproximou dela. "Embora eu tenha sido criada no catolicismo, quando meu marido estava com câncer fomos em busca de uma luz espiritual. Ele acabou morrendo, mas o trabalho do Fraternitas é tão lindo, tão importante, tão grande, que até hoje estou nele como voluntária", comenta.
Nélia tentou resumir a importância da jornalista para a associação. "Não dá para descrever o que fez a Kitty. Ela era demais. Sempre pronta a ajudar. Pegando firme, carregando saco de alimentos, só parando de trabalhar quando tudo estava pronto. Estivemos juntas em ação de Natal no último dia 17. Fomos a dois lugares nesse dia. Tenho uma imagem linda dela segurando uma bebê indígena. A bebê é uma das 300 crianças que vivem nessa aldeia (próxima ao Pico do Jaraguá, em São Paulo). Vamos lá a cada 20 dias, levamos sopa, pães, sucos, alimentos não perecíveis, brinquedos, roupas... Depois fomos a um assentamento muito pobre. O que arrecadamos, dividimos entre muitas ações, moradores de rua, orfanato, asilos, comunidades carentes. Não dá para explicar tudo o que a Kitty representava para a comunidade carente", garante.
Igualmente, a irmã Ana Maria Balieiro Werneck (que teve Kitty como sócia de um estabelecido famoso na cidade, o Bar Imprensa) ressaltava as qualidades beneméritas dela e a capacidade de cooptar ajudantes.
"Era o dom dela, ajudar, ajudar, ajudar. E olha que fomos uma família grande, dez irmãos. Agora somos sete, três já se foram, mas fica o exemplo dela para nós, irmãos, sobrinhos e sobrinhas. Temos que nos envolver com ajuda a quem tem menos. E Kitty nos dava o exemplo. Tanto que eu hoje moro em Curitiba, mas a cada 20 dias estava em São Paulo ajudando-a, envolvida com as atividades dela", lembra Ana, amparada por várias amigas do tempo do basquete, atividade que Kitty praticou com sucesso em Bauru.
"E quando eu estava preocupada se ia ter o suficiente para atender a todo mundo, ela dizia: já está resolvido, vamos ter ovo cozido, só que cada um vai ter que descascar o seu. Ela era assim, não tinha tempo quente, era a cara dela", acrescenta.
"Kitty para mim era mais do que uma amiga do basquete, era minha irmã, somos da mesma idade. Crescemos juntas, estudamos na mesma escola, o Guedes, depois o Liceu Noroeste. Tivemos muitos encontros fora da quadra, depois também em São Paulo, quando ela já estava no jornalismo", lembrou Suzete Gobbi.
Tereza Viscelli, também jogadora do Bauru Tênis Clube, lembrava que Kitty Balieiro foi bicampeã paulista juvenil e enveredou para jornalismo esportivo graças ao amor pelo basquete. Kitty estudou comunicação social na antiga FEB - hoje Unesp. Foi da primeira turma da universidade e começou a carreira na TV Bauru. Depois, fez a especialização em jornalismo pela Cásper Líbero, em São Paulo. Teve uma extensa carreira no telejornalismo esportivo, com passagens por SBT, TV Globo e Record, além de coberturas das Olimpíadas de Los Angeles, Seul e Barcelona.
"Mas o que fica além da alegria dela, e ela era incrivelmente alegre, é esse trabalho que realizava agora. Conseguiu se transformar em alguém maior do que já era no esporte e no jornalismo", comenta.
Amigos do jornalismo bauruense também foram se despedir de Kitty e lamentaram a perda. Bob Lucas, operador de áudio, estava na TV Bauru, primeiro emprego da jornalista. "Não dá para esquecer: ela era querida por todo mundo. Era essa a marca dela". Nilton de Oliveira, radialista que teve a oportunidade de acompanhar jogos dela, também ressaltou a alegria com que a jornalista levava a vida.
"A gente percebia que o mundo dela não ficaria fechado ao basquete. Quando foi para o jornalismo, foi uma alegria e abriu seu espaço num ambiente masculino, onde gente famosa se destacava", salientou.
Outro amigo presente ao velório e que enfatizou esse lado pioneiro da jornalista foi Kleber Santos “Fizemos parte do grupo de jornalistas da TV Globo que iniciou a implantação do jornalismo regional por meio da geradora de Bauru”, explica.
Ele acompanhou os primeiros passos de Kitty no jornalismo esportivo. “Na época, era uma surpresa para muitos assistir à uma mulher conquistando espaço em um território até então dominado pelos homens. Ela se impôs com competência. Consolidou-se como profissional de respeito e tornou- se inspiração para o surgimento de grandes nomes femininos, que atualmente estão realizando reportagens ou apresentando programas de esporte na TV, no rádio e nas novas mídias", reitera.
Por sua contribuição profissional e pela inclusão das mulheres no segmento, Kitty recebeu em 2011 o prêmio Regiane Ritter, da Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo. Na ESPN, onde ela encerrou a carreira, a jornalista trabalhou por 17 anos seguidos. Chegou a ser chefe de redação e gerente de projetos internacionais.
"A Kitty era uma pessoa alegre e determinada, encarou forte a carreira de jornalista esportiva num momento em que não existiam mulheres nessa esfera do jornalismo brasileiro", finaliza o primo Renato Rodrigues.

Fonte: Jornal da Cidade de Bauru


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