sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Câmara de Vera Cruz tem pedido de Comissão Processante contra vereador

A caldeira política de Vera Cruz volta a ferver. A Câmara da cidade deve votar na próxima semana um pedido para instalação de uma Comissão Processante para julgar condutas do vereador Ari Bernardo, que nos últimos meses se tornou um dos mais ativos e permanentes críticos da gestão da prefeita Renata Zompero Dias Devito.
Ari é acusado de invadir uma área de serviços administrativos do setor de compras da prefeitura para pedir informações sobre compra de leite e fraldas. A própria prefeita teria ido ao local durante a visita do vereador.
A denúncia, assinada por seis pessoas – incluindo assessores comissionados da prefeita – diz que o vereador agiu de forma ‘rude’ e “intimidadora” e uma servidora teria sofrido mal estar por ficar nervosa com a situação.
Antes da denúncia, os seis envolvidos na denúncia registraram um boletim de ocorrência contra o vereador na delegacia da cidade. Ari já foi ouvido pala Polícia e negou qualquer ato agressivo.
O pedido de instalação da comissão processante diz que o vereador “alterou a voz e perguntou sobre fraldas, medicamentos e leite de forma intimidativa”.
Márcia Cristina Pelozo, coordenadora da Promoção Social, afirmou que Ari Bernardo a acusou de não entregar fraldas e leite a quem deveria e que “se sentiu ameaçada e intimidada”. A denúncia não aponta nenhuma frase específica usada pelo vereador.
O vereador divulgou na noite desta quinta um vídeo em redes sociais para falar sobre a acusação e apresentar diversas críticas contra a gestão pública na cidade. Disse que cumpre sua missão de fiscalizar e que a comissão é uma manobra para combater seu trabalho.
“Nossa função é fiscalizar, sempre fiz e vou continuar fazendo. A função do vereador é fiscalizar. Posso pedir documento, posso fiscalizar descarregamento de material, acompanhamento de obra. Posso fazer”, disse o vereador.
Ari disse que os funcionários da prefeitura estão sofrendo a pressão da população e da administração e que os comissionados – nomeados sem concurso – não atendem a comunidade e os vereadores.
“Pedi licença para entrar, para falar com as pessoas. Fiz duas perguntas: porque foram entregues fraldas no setor, se não é o setor de entrega. Uma funcionária respondeu ‘aqui foi montado o kit das grávidas’, mas era aqui que fazia?”
O presidente do Sindicato dos Servidores, Denis Guerreiro, disse que não estava no setor de compras quando aconteceu a visita, mas que conversou com servidores sindicalizados que repetiram a denúncia de intimidação e acusação de que o vereador “chegou de modo grosseiro”.
“Colocamos o departamento jurídico do sindicato à disposição dos servidores e agora vamos acompanhar de perto. A parte agora é aguardar o procedimento da Câmara”, disse o sindicalista.
Uma advogada do sindicato acompanhou manifestação de alguns dos envolvidos na denúncia e deve seguir os servidores no caso.
Entre os cinco denunciantes, três são sindicalizados – Carlos Alessandro Doti, escriturário; Luciana Regina Marnelli, contadora, e Maria Clara Machado Faria, tesoureira.
O diretor do Setor de Compras, Gustavo Zimmerman Dias, e as coordenadoras Maria Cristina Cavalcante Pelozo e Natália Oliveira Machado, completam a lista de denunciantes.
O caso acompanha uma série de acusações de falta de leite, fraldas e medicamentos, com denúncias de mães em redes sociais e uma crise no setor de atendimento em saúde que provoca a contratação de uma empresa terceirizada para o setor.
Uma gestante divulgou mensagens sobre a dificuldade para conseguir medicamentos para uma gravidez de alto risco. Citou dois casos em que teve de procurar atendimento em Marília, saiu com receitas para progesterona e não conseguia o medicamento na cidade. Ela perdeu o bebê.
A cidade acumula situações polêmicas. A Prefeita Renata Devito responde a uma comissão processante acusada de contratos irregulares de seguro para sucata. Ari votou a favor da investigação e assim como esteve no setor de compras já havia divulgado imagens da garagem e dos veículos abandonados. 
O ex-prefeito Rodolfo Devito, marido de Renata, cumpre prisão albergue condenado por fraudes em contrato público. O irmão de Renata, Eduardo Zompero Dias, foi cassado acusado de agredir um servidor.
O vereador José Carlos Doti, um dos nomeados para integrar a comissão processante contra a prefeita, está condenado pelo TJ com perda de direitos políticos, em decisão que salvou seu mandato e só terá efeitos futuros.

Fonte: Giro Marília

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