quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Vale do Igapó em Bauru é castigado por chamas

O Condomínio Vale do Igapó, em Bauru, foi castigado pelas chamas por mais de dez horas nesta terça-feira, 01 de outubro. O Corpo de Bombeiros atuou durante grande parte do dia no combate aos focos de incêndio. As estimativas preliminares apontavam mais de 100 mil metros quadrados de mata nativa de cerrado destruída, contudo, a área total deve ser calculada nesta quarta-feira. 02 de outubro,, após a análise por meio de drone. Não há informações sobre feridos, mas uma casa teve parte do quintal atingida.
Moradores dizem que o incêndio é criminoso e até informaram ao Corpo de Bombeiros que duas pessoas colocaram fogo na mata e depois fugiram.
A Polícia Militar Ambiental também recebeu a denúncia e informou que realizará, nesta quarta, uma análise da área devastada e procederá averiguações a fim de apurar as causas e possíveis responsáveis.
"É um incêndio de grandes proporções. Tivemos que estabelecer nossa prioridade, que foi combater as chamas que ameaçavam as casas. Depois, partimos para o combate aos focos na mata, mas o fogo se espalhou rapidamente", ressalta o sargento do Corpo de Bombeiros Daniel Batista, que comandou a operação no local.
As chamas chegaram a atingir parte da fiação no condomínio e muitos moradores ficaram sem energia elétrica e, consequentemente, sem água ontem, porque o condomínio é abastecido por poços artesianos. Equipes da CPFL estiveram no local para o conserto e restabelecimento do serviço.
O fogo, segundo moradores, teve início por volta das 9h, próximo ao acostamento da alameda Tachã, que dá acesso ao condomínio. Pouco tempo depois, as chamas se espalharam por uma área conhecida como região 5 e 4 do Vale do Igapó. Quase todos os terrenos das ruas de terra próximas à alameda Teró queimaram. "Moradores contaram ter visto dois cidadãos colocando fogo na mata perto da rodovia e se embrenhando na mata, mas é algo que será investigado pela polícia", afirma o sargento Batista. "Mas, pela característica do incêndio, parece mesmo criminoso, pois os focos surgem até na direção contrária ao vento", completa o bombeiro.
Há 7 anos morando no local, Kleuber Henrique dos Santos, 41 anos, conta que há grandes queimadas todos os anos nesta época. "Nunca pegam ninguém, mas é constante. Acredito que possa ser gente interessada nos lotes. Fazem isso para limpar as áreas, porque é proibido cortar o cerrado. Aí, para despistar, colocam fogo em vários locais", esbraveja o morador, saindo de casa às pressas com a esposa, o filho e os cachorros. "Não dá para respirar direito, é horrível. Vamos sair e ir para a casa de parentes na cidade".
Em meio à cortina de fumaça que tomava quase todas as quadras naquela região, uma força-tarefa de moradores ajudava 15 bombeiros no controle às chamas. Mais de 40 mil litros de água ajudaram na contenção, que contou com dois caminhões autobomba da corporação e um caminhão-pipa da Semma.
Mangueiras e até baldes com água de piscina eram usados por moradores assustados com a rapidez em que as chamas se espalhavam, auxiliadas pelo vento e a umidade do ar abaixo de 20%.
"Vi um gambá correndo do fogo, uma cena muito triste. Os cachorrinhos estão todos ofegantes por causa dessa fumaça. Não somos só nós, os animais sofrem muito", queixa-se Dorival Garcia, 61 anos, enquanto tentava apagar o foco em frente ao seu lote com um balde.

Fonte: Jornal da Cidade de Bauru


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