sexta-feira, 12 de julho de 2019

Operação prende vereadora e servidores na Câmara de Mineiros do Tietê

A Polícia Civil de Jaú, por meio do Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (Seccold), realizou na manhã desta sexta-feira, 12 de julho, uma operação na Câmara Municipal de Mineiros do Tietê. Denominada "Endrômina" (que significa conluio, artimanha), a ação conta com a parceria do Tribunal de Contas do Estado. Uma vereadora em exercício e duas assessoras foram presas.
Entre as investigadas está a parlamentar Maria Letícia Cipola (PSB), ex-presidente da Câmara (biênio de 2017/2018). Atualmente, ela é vice-presidente da Mesa Diretora. Também foram presas Andréia Aparecida Rocha e Gisele Ribeiro da Silva, nomeadas em cargo de confiança pela vereadora.
“No biênio em que a investigada foi presidente da Câmara, os gastos de custeio do Poder Legislativo de Mineiros do Tietê experimentaram um aumento de mais de 500%”, afirma Ricardo Dias, delegado seccional de Jaú. Mas de acordo com a Polícia Civil, após os seis meses de investigações, além dessa suspeita, outra foi levantada.
Isso porque o Tribunal de Contas do Estado identificou, em um universo de 500 notas fiscais emitidas no último ano, 122 com indícios de fraudes. “Essas notas embasaram pagamentos de serviços que não foram efetuados, causando um prejuízo de, segundo levantamento preliminar, cerca de R$ 200 mil. Valor que pode ser ampliado com o aprofundamento das investigações”, completa.
Com a prisão temporária decretada, elas foram encaminhadas para a Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Jaú, onde serão ouvidas. Depois, devem ser encaminhadas para a cadeia pública feminina de Pirajuí.
Todo o material documental foi apreendido para perícia, além de computadores das acusadas. Ainda de acordo com o delegado, essa é a primeira etapa da operação. “As investigações vão continuar e tentaremos identificar outros autores na cidade”, diz.
Conforme o JC divulgou, o Seccold de Jaú foi inaugurado como sendo a segunda unidade do tipo em todo o Estado de São Paulo. Autorizada no último dia 8 de janeiro pelo Deinter-4, o setor funciona nos mesmos moldes da primeira unidade existente no Estado, que funciona há cerca de três anos em Guaratinguetá, no Vale do Paraíba.
O objetivo é o combate efetivo aos crimes de "cifra negra", tendo em vista que os casos que envolvem corrupção na administração pública direta e indireta produzem danos sociais e difusos e superam, em muito, as consequências funestas de qualquer infração penal de natureza individual.
“Estamos felizes em, pouco tempo, já estarmos apresentando o primeiro resultado deste Setor. Também destaco esse trabalho interagências, que é muito importante para que possamos contar com a ajuda de órgãos que detém outra expertise”, finaliza Ricardo Dias.

Fonte: Jornal da Cidade de Bauru


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