quarta-feira, 31 de julho de 2019

Grupo em Garça busca acolher quem sofre com o luto decorrente do suicídio

Ocorreu na última quinta-feira, 25 de julho, a primeira reunião do Grupo de Acolhimento aos Sobreviventes Enlutados por Suicídio de Garça. Diante de um tema tão delicado, esse agrupamento busca levar a parentes e amigos que sofrem com o suicídio de um ente querido ou de uma pessoa próxima uma envolvimento profissional, de forma independente e sem qualquer fundamento religioso ou político. Esse trabalho tem a coordenação dos psicólogos Jéssica Polizinani e Paulo Eduardo Rodrigues Adão.
O Brasil é um dos países com maior índice de ocorrência de suicídios no mundo e a região de Garça segue essa tendência, com a verificação de muitas pessoas tirando a vida. O suicídio traz consequências que afetam diretamente parentes e amigos. O luto por suicídio é um dos mais doloridos, já que carrega consigo questões como dúvidas, culpa, impotência, vergonha ou isolamento. Diante disso, um trabalho de acolhimento, como o realizado pelo grupo garcense, pode oferecer a sustentação necessária para atravessar esse momento tão difícil.
Segundo Jéssica, o interesse pela questão do suicídio se deu no terceiro ano de faculdade, quando ela perdeu uma amiga por suicídio. "Ao estudar Psicologia não temos uma mateira específica sobre esse tema. Foi ai que uma psicóloga que se formou comigo, Luciana Handa, desenvolveu um grupo de acolhimento em Marília e também um grupo de prevenção ao suicídio naquela cidade", indicou.
Há algum tempo, a psicóloga Luciana Handa esteve em Garça e apresentou uma palestra sobre a questão do suicídio. Na oportunidade, ela lançou o desafio de trazer o grupo de acolhimento que já existe em Marília há cerca de um ano para cá, sendo que a proposta foi acatada.
Agora, os psicólogos Jéssica Polizinani e Paulo Eduardo Rodrigues Adão deram início a essa atividade. Os encontros ocorrerão na última quinta-feira de cada mês, das 19h30 às 21h30, no Lar Meimei, no Centro.
"O objetivo dele será acolher as pessoas que perderam alguém por suicídio. Devido ao alto número de suicídios que estamos enfrentando nos últimos tempos, resolvemos fazer alguma coisa com aqueles que ficaram, ou seja, ajudar as famílias, os amigos que perderam alguém por suicídio", explicou Adão.
O trabalho do grupo é totalmente voluntário, sendo que toda atividade realizada nele é sigilosa e segura. "É um tema muito pesado, a sociedade o vê assim, como um tabu, que gera um incômodo. Às vezes somos até criticados por falar em suicídio, já que há gente que pensa que se falar sobre o tema vai incentivar o hábito. E, na realidade, não. Pesquisas apontam que 75% das pessoas procuram ajuda antes de cometer o suicídio. Buscamos quebrar esse estereótipo que está aí de que suicídio é tabu, que não podemos falar sobre isso. Existem mais pessoas sofrendo pela perda de alguém por suicídio do que realmente pessoas se suicidando", apontou Jéssica.
Ela lembrou que há também algumas ideias que são colocadas como verdadeiras em relação ao suicídio, mas que não correspondem à realidade. "A pessoa comete um suicídio e a sociedade costuma falar que cometeu o suicídio por ser depressiva. Na verdade, não. Não é apenas quem tem depressão que comete suicídio. O suicídio é algo que todos nós podemos pensar um dia, já que todo sujeito experimenta dor, angústia e sofrimento em algum momento da vida. Todos estão suscetíveis a cometer esse ato, ninguém está imune a isso", complementou a psicóloga.

Serviço — O Grupo de Acolhimento aos Sobreviventes Enlutados por Suicídio de Garça realiza reuniões todas as últimas quintas-feiras de cada mês, no Lar Meimei, à avenida Labieno da Costa Machado, 1285, no Centro. A participação é aberta a todos os interessados e totalmente gratuita. Outras informações podem ser obtidas pelo fone 98107 9322.

Fonte: Jornal Debate


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