segunda-feira, 24 de junho de 2019

Após oito meses, convenção de comerciários é assinada e define reajuste em 4,4%

Depois de cerca de oito meses, finalmente chegou ao fim o acordo para a convenção coletiva dos trabalhadores no comércio de Garça, empreendido entre o Sindicato dos Empregados no Comércio de Garça e Região e o Sincomercio (Sindicato Comércio Varejista Marília). Após esse longo período e de um trabalho estafante para se chegar a um denominador comum, foi estabelecido que a categoria terá um reajuste da ordem de 4,4%, sendo que esse aumento será retroativo a setembro do ano passado.
Devido ao fato de as negociações terem se estendido por um longo período, as partes definiram que os retroativos referentes ao hiato de setembro de 2018 a maio de 2019 serão ressarcidos na forma de abono. Haverá um cálculo dos valores não pagos ao longo desse período, mais o 13º salário relativo, e, diante do montante, será efetuado o pagamento do abono nos meses de junho, julho, agosto e setembro, havendo a possibilidade de compensações de quaisquer valores que tenham sido antecipados no período.
Ante o reajuste acertado entre os setores trabalhistas e patronais, a categoria de comerciários de Garça — empresas em geral — passa a ter novos pisos salariais. Os empregados em geral passam a contar com um piso no nível de R$ 1.411. O valor mínimo a ser pago ao operador de loja passa a ser de R$ 1.460, ao passo que o operador de caixa tem o recebimento mínimo mensal fixado em R$ 1.514. Já o faxineiro ou copeiro passa a ter piso de R$ 1.242, ao passo que o office boy ou empacotador passam a ter o valor mínimo de referência em R$ 1.038. Já a garantia de comissionista foi fixada em R$ 1.653.
Por sua vez, o piso definido para empregados em MEIs (Microempreendedores Individuais) do comércio foi de R$ 1.150.
Segundo Geraldo Alves dos Santos, diretor do Sindicato dos Empregados em Garça e Região, a demora para se chegar a um acordo foi das mais consideráveis, mas não faltou empenho e luta por parte da entidade representante dos trabalhadores em buscar direitos que eram considerados básicos para os profissionais. Ele sustentou que o setor patronal se mostrou irredutível em várias colocações, o que levou a uma negociação que se estendeu por meses.
Santos lembrou que, ao final, o presidente do Sindicato, Fábio Henrique dos Santos, e o da entidade patronal, Pedro Pavão, finalmente conseguiram chegar a um denominador comum, mas com pontos positivos para ambos os lados.
"Chegamos ao nível de 4,4%. Não trabalhamos apenas para os sindicalizados. Aqueles que não contribuem também são privilegiados, também recebem os benefícios que o Sindicato conquista. Que fiquem cientes que, mesmo não colaborando com o Sindicato, mesmo não contribuindo, a entidade não deixa de lutar por eles, pois são comerciários e nós somos uma categoria unida", apontou Santos.
Para Pedro Pavão, presidente do Sincomercio Marília, "o entendimento e o diálogo foram fundamentais para que se chegasse a um termo satisfatório que contemplasse as duas categorias. Conseguimos estabelecer um reajuste adequado à realidade econômica que enfrentamos atualmente, além de outras conquistas que irão beneficiar comerciantes e comerciários dessas cidades", ressaltou, ao lembrar que a convenção vale para Garça e também para Álvaro de Carvalho; Alvinlândia e Lupércio.

Mudanças — Na visão de Geraldo Alves dos Santos, os problemas econômicos do país, somados às alterações na legislação trabalhista, também afetaram nas negociações. Ele lembrou que várias outras categorias, de diversas regiões também vêm enfrentando problemas para se chegar a acordos satisfatórios.
"Não houve melhora nenhuma com as mudanças [reforma trabalhista], o desemprego está ai para quem quiser ver. Mudanças só prejudicaram, prejudicaram trabalhador, o direito trabalhista", indicou o diretor do Sindicato.
Nestes tempos de perdas de direitos e de incertezas, Santos indicou que os trabalhadores devem se proteger e ver no Sindicato uma entidade que pode dar apoio em momentos diversos, até mesmo quando das demissões. "As rescisões de contrato devem ser feita no Sindicato. O trabalhador tem o direito de fazer com que esse procedimento ocorra no Sindicato e há um bem aqui, pertinho de você... mesmo que você não seja sindicalizado, esse procedimento pode ser feito aqui", complementou.

Fonte: Jornal Debate


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